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STF começa a discutir atuação das redes sociais no Brasil

Supremo Tribunal Federal julga três ações que podem alterar as regras sobre responsabilidade de plataformas digitais na remoção de conteúdos ilícitos no país.
Redação Portal Norte
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O Supremo Tribunal Federal (STF) dará início, nesta quarta-feira (27), ao julgamento de ações que podem alterar as regras do uso da internet no Brasil.

A Corte analisará a responsabilidade dos provedores de internet na remoção extrajudicial de conteúdos relacionados à desinformação e discurso de ódio, sem a necessidade de uma ordem judicial prévia.

O julgamento envolve três casos, sendo que os ministros Luiz Fux, Edson Fachin e Dias Toffoli relatarão as ações.

As discussões têm como base o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), que, sancionado em 2014, regula os direitos e deveres do uso da internet no país.

Um dos pontos centrais é o artigo 19 da legislação, que isenta plataformas de responsabilidade sobre conteúdo gerado por terceiros, exceto se não cumprirem uma ordem judicial para remoção.

No caso relatado por Toffoli, o STF decidirá sobre a constitucionalidade da regra que exige ordem judicial para responsabilizar provedores por atos ilícitos.

Já no caso de Fux, será discutido se empresas que hospedam sites devem fiscalizar e remover conteúdos ofensivos sem a intervenção da Justiça.

A ação de Fachin envolve a legalidade do bloqueio do WhatsApp por decisões judiciais, tema que gerou controvérsias no passado.

Esses processos têm origem em casos antigos, como os questionamentos do Facebook e Google sobre a obrigação de remover conteúdos sem autorização judicial.

O Facebook entrou com um recurso em 2017 após uma decisão que exigia a exclusão de um perfil falso.

O Google também foi questionado em um caso sobre a exclusão de uma comunidade no Orkut, conhecida por veicular conteúdo ofensivo.

Além disso, o partido Cidadania também interpôs uma ação contra o bloqueio de plataformas de mensagens, como o WhatsApp, por ordem judicial.

A sigla alega que tais bloqueios violam a liberdade de comunicação e busca proibir futuras decisões desse tipo.

Esse julgamento tem o potencial de mudar a regulamentação das redes sociais no Brasil, afetando diretamente a forma como provedores de internet lidam com conteúdos gerados pelos usuários. O STF já realizou audiências públicas para discutir o tema e ouvir especialistas, sociedade civil e representantes do setor público, com o objetivo de basear a decisão em uma análise técnica e jurídica.

Essas decisões do STF podem ter um grande impacto na maneira como as plataformas de internet operam no país, especialmente em relação à responsabilidade por conteúdos postados por terceiros.

*Com informações da Agência Brasil