SEGURANÇA PÚBLICA

Presença de facções criminosas cresceu 46% na Amazônia Legal

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 19 facções ligadas ao narcotráfico já atuam em 260 cidades da região amazônica.
Redação Portal Norte
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A presença de facções criminosas cresceu 46% em cidades da Amazônia e já ocupa um terço da região. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o levantamento, o crime organizado está presente em três de cada dez cidades da região.

O mapeamento revela que 19 facções criminosas ligadas ao narcotráfico atuam em pelo menos 260 cidades da Amazônia Legal.

Confira a distribuição das facções pelos municípios da Amazônia Legal:

  • Acre – 18 municípios com uma facção / 4 municípios com duas ou mais facções
  • Amazonas – 13 municípios com uma facção / 8 municípios com duas ou mais facções
  • Rondônia – 16 municípios com uma facção / 10 municípios com duas ou mais facções
  • Roraima – 7 municípios com uma facção / 7 municípios com duas ou mais facções
  • Tocantins – 4 municípios com uma facção / 5 municípios com duas ou mais facções
  • Pará – 62 municípios com uma facção / 11 municípios com duas ou mais facções
  • Amapá – 1 município com uma facção/ 4 municípios com duas ou mais facções
  • Mato Grosso – 27 municípios com uma facção / 15 municípios com duas ou mais facções
  • Maranhão – 28 municípios com uma facção / 20 municípios com duas ou mais facções

Facções criminosas

As organizações mafiosas mais presentes na região são o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O CV é o grupo com maior presença nos municípios, ou seja, tem o monopólio. Em seguida vem o PCC, que está presente sozinho em pelo menos 28 municípios da região Amazônica.

A maioria dos estados onde ele se faz presente é em Rondônia ou Roraima.

“Suas associações com grupos criminosos locais, agravam sobremaneira a situação da Amazônia legal, que passa a ser vista como um território muito estratégico para o tráfico transnacional com a circulação de diferentes ilícitos”, diz trecho do estudo.

Causas

De acordo com o levantamento, dois fatores têm contribuído para a expansão das facções na região Amazônica.

O primeiro deles é a aliança entre as próprias facções, chamado de “batismo”, prática comum em presídios. É quando grupos dentro do sistema prisional aderem à uma fação.

O segundo fator é pela Amazônia Legal se tratar de uma região estratégica, pois está localizada na fronteira com outros países, como Bolívia, Colômbia e Peru.

Sendo assim, ela passa a ser uma rota de trânsito para drogas e outras práticas ilegais.

Consequências

O relatório mostra que as facções geram conflitos para dominar territórios, promovendo desmatamento, garimpo ilegal, extração ilegal de ouro e outros crimes.

O estudo também aponta uma relação entre as atividades ilegais e os homicídios. A taxa de mortes violentas intencionais na Amazônia Legal está em 32 a cada 100 mil habitantes.

Embora tenha diminuído, esse número está mais de 40% acima da média nacional.

Além da violência provocada pela disputa de terras, o tráfico de drogas é mais uma ameaça contra indígenas, ribeirinhos e outras populações tradicionais.

Como a Amazônia Legal faz fronteira com outros países, as facções possuem interesse em obter o controle dessa área geográfica para estabelecer relações com grupos criminosos dos países da América Andina produtores de cocaína, por exemplo.

De acordo com o fórum, a pesquisa mostra “um cenário preocupante de conflitos em torno do controle, uso ou posse da terra que têm produzido homicídios e outras dinâmicas criminosas, bem como. prejuízos irreparáveis à biodiversidade amazônica, causando danos à manutenção da floresta e à sobrevivência de povos indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas”.