JUSTIÇA INDÍGENA

Gilmar Mendes adia audiência de conciliação do marco temporal por um mês

Ministro do STF adia comissão de conciliação sobre marco temporal por mais um mês, enquanto debate sobre mineração em terras indígenas gera tensão entre governo e povos originários.
Redação Portal Norte
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), adiou por mais um mês os trabalhos da comissão de conciliação que discute o marco temporal de terras indígenas na Corte.

A decisão foi proferida, nesta sexta-feira (21), e atendeu a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que queria mais tempo para analisar as propostas.

Com a suspensão, os trabalhos serão retomados no dia 26 de março. Os debates deverão ser concluídos até 2 de abril, prazo para encerramento da comissão.

A interrupção dos trabalhos ocorre no momento em que a comissão começou a analisar uma proposta legislativa com base nas informações colhidas durante os debates.

Entre as propostas, está a legalização da mineração em terras indígenas.

Após a apresentação da minuta, o Ministério dos Povos Indígenas declarou que foi surpreendido com a possibilidade de liberação da mineração e reafirmou posicionamento contrário à inclusão do tema nas discussões.

Conciliação

A conciliação foi convocada pelo ministro Gilmar Mendes para manter a validade do projeto de lei que reconheceu o marco, além de processos de entidades representantes dos indígenas que contestam a constitucionalidade da tese.

Pela tese do marco temporal, os indígenas somente têm direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época.

Além de levar o caso para conciliação, Gilmar Mendes negou pedido de entidades para suspender a deliberação do Congresso que validou o marco, decisão que desagradou aos indígenas.

Em 2023, o plenário do Supremo decidiu a favor dos indígenas e considerou o marco inconstitucional.

Na prática, a realização da audiência impediu a nova decisão da Corte sobre a questão e permite que o Congresso ganhe tempo para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para confirmar a tese do marco na Carta Magna.

*Com informações da Agência Brasil