ENERGIA E MEIO AMBIENTE

Petrobras se aproxima de licença ambiental para explorar petróleo na Foz do Amazonas

Ibama autoriza etapa de preparação da sonda, mas licença final para exploração ainda segue em análise. Decisão acontece em meio a tensão entre desenvolvimento econômico e compromissos climáticos do Brasil.
Redação Portal Norte
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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deu um passo importante ao autorizar a Petrobras a realizar a limpeza da sonda que poderá ser utilizada na perfuração na Margem Equatorial. A região fica na costa do Brasil, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte.

Essa decisão aproxima a estatal da obtenção da licença ambiental definitiva para iniciar as atividades exploratórias de petróleo na foz do rio Amazonas. No entanto, o Ibama ressaltou que essa etapa não significa uma aprovação final para a perfuração, mantendo o processo de licenciamento em análise.

A limpeza da sonda, que envolve a remoção de corais potencialmente invasivos do casco da embarcação, foi um dos pontos que geraram preocupação entre ambientalistas e técnicos do Ibama. Em 2023, esses grupos recomendaram a rejeição do pedido de perfuração da Petrobras, destacando os riscos ambientais associados à exploração na região.

A Margem Equatorial é considerada estratégica para o setor energético devido às suas características geológicas semelhantes às da Guiana, onde grandes reservas de petróleo foram descobertas recentemente.

Região onde está localizada a Margem Equatorial. – Foto: Reprodução/ Petrobras.

Tensão entre desenvolvimento e transição energética

O debate sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial ocorre em um momento delicado para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto Lula defende a exploração da região como uma oportunidade para o desenvolvimento econômico, ambientalistas e parte do governo pressionam por uma transição acelerada para energias limpas.

O Brasil, que sediará a COP30 em Belém (PA) em 2025, tem o desafio de alinhar suas políticas energéticas com os compromissos globais de redução de emissões de gases do efeito estufa, estabelecidos no Acordo de Paris.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tem enfatizado que a decisão do Ibama será técnica e baseada em critérios ambientais rigorosos. Além disso, para conceder a licença, é necessário atender a todas as exigências. Caso contrário, a solicitação terminará negada.

Por outro lado, em evento realizado em Belém, Lula afirmou que a pesquisa de petróleo na região é essencial para o desenvolvimento nacional. Além disso, destacou que a humanidade ainda precisará de combustíveis fósseis por um longo período.

Pesquisa para explorar petróleo. – Foto: Reprodução/ Petrobras.

Impactos econômicos e ambientais em debate

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem interesse no avanço do projeto, comemorou a decisão do Ibama. Em nota oficial, Alcolumbre destacou que a autorização é um passo fundamental para a obtenção da licença ambiental, permitindo que a Petrobras avance de forma responsável e sustentável.

Enquanto isso, ambientalistas continuam alertando para os riscos de explorar uma região tão sensível como a Foz do Amazonas. Eles argumentam que o Brasil, como anfitrião da COP30, deveria liderar pelo exemplo, priorizando a descarbonização e evitando novos projetos de combustíveis fósseis.

Já a Petrobras destaca que o local tem potencial para garantir a demanda energética do país. A região já está sendo considerada como o “novo pré-sal”.

A decisão final sobre a licença ambiental para a Petrobras na Margem Equatorial ainda depende de análises técnicas e do cumprimento de exigências ambientais.