A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Grilagem de Terras da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) avançou nas investigações sobre possíveis irregularidades na regularização fundiária no estado.
Durante a sessão desta quarta-feira (26), o presidente da CPI, deputado Jorge Everton (UB), revelou que as investigações já apontam indícios de irregularidades.
Além disso, a apuração mostrou que existe o envolvimento direto do governador do estado, Antonio Denarium (PP), e seu filho, que possui 18 fazendas registradas em seu nome.
“Já comprovamos a concessão irregular e ilegal de dois títulos para o filho do governador. Existem exigências, como renda mínima, que não condizem com a renda familiar dele. Além disso, só permitido um único título gratuito, mas ele recebeu dois. Precisamos entender por que ele foi beneficiado, enquanto muitos agricultores enfrentam dificuldades para conseguir a regularização de suas terras”, afirmou Everton.
Investigação também mira em empresário
Outro ponto de destaque é a relação do Instituto de Terras e Colonização de Roraima (Iteraima) com um empresário conhecido como Sr. Paludo.
Ainda de acordo com o presidente da CPI, o empresário possui uma área acima do limite permitido por lei, que é de 2.500 hectares por título.
“Estamos analisando uma conexão entre o Sr. Paludo e o governador. O relator da CPI apresentou documentos que mostram que Paludo é sócio do Frio10, mesma empresa onde o governador também tem participação. Por que esse grupo consegue uma tramitação acelerada no Iteraima, enquanto pequenos agricultores enfrentam tantas dificuldades?”, questionou o deputado.
Grilagem de terras em Roraima
Durante a sessão desta quarta-feira (26), apenas um dos cinco convocados compareceu para prestar depoimento.
O engenheiro agrônomo e topógrafo do Iteraima, Washington Carvalho, foi o único presente. Diante da ausência dos outros intimados — Jairo de Lima, procurador em processos de regularização fundiária no Iteraima; Larissa Holanda, Ricardo Braga e Luís Sebastião Lima, supostos proprietários de terras — a comissão decidiu acionar a Justiça para solicitar a condução coercitiva dos faltosos.
Por fim, a CPI da Grilagem continua aprofundando as investigações e pode convocar novas testemunhas para esclarecer os indícios de favorecimento e irregularidades na concessão de títulos de terra.