Apesar do presidente Lula (PT) comemorar a abertura do Vietnã para a carne brasileira, a medida gera falta de credibilidade para especialistas do mercado. É o que avalia o economista e assessor de investimentos Alex Barros.
Barros entende que a notícia deixa o cenário brasileiro mais preocupante, tendo em vista a posição do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), divulgada na última terça-feira (25), de que a alta no preço dos alimentos pode continuar.
“Temos uma pressão no aumento do preço da carne, que vai ter chegar em mais ou menos 9,7%”, destacou.
O economista explica que a demanda é a responsável pelo número. Ele pontua que o Brasil passou por um momento severo de seca, com empobrecimento do pasto, trazendo diminuição da produção da carne bovina.
“Há uma alta demanda da nossa carne pelo mercado externo e também precisamos entender que a exportação no ano passado chegou a 87,3%, então a tendência é que o preço continue aumentando”, disse.
Picanha sem previsão
Em fevereiro, durante entrevista à Rádio Tupi FM, do Rio de Janeiro, o presidente Lula (PT) disse que “a carne começou a cair e o povo vai voltar a comer picanha”, mas a análise feita pelo economista, junto de outros dados de institutos, invalida o presidente.
É o caso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último dia 27 de março, que mostra aumento do corte em 1,34%.
A alternativa é, então, como diz Alex Barros, procurar meios para que a mesa não fique sem proteína. “Vamos fazer novos arranjos”, expressa.