POLÍTICA TOCANTINS

Justiça pisa no freio e União Brasil perde mandatos em Paraíso do Tocantins por fraude

Justiça Eleitoral cassou mandatos de três vereadores pelo uso de candidatura fictícia para cumprir cota de gênero. Decisão pode ser revista em instâncias superiores.
Redação Portal Norte
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A Justiça Eleitoral de Paraíso do Tocantins determinou a cassação da chapa do União Brasil nas eleições de 2024 por suspeita de fraude à cota de gênero. 

Com a decisão, os vereadores Vanderlei José de Oliveira (atual presidente do partido), Ricardo Silva Diniz (vice-presidente da Câmara) e Alailson Lemos, eleitos pelo partido, foram declarados inelegíveis por oito anos. A sentença pode ser revista.

Vereadores Vanderlei José de Oliveira (atual presidente do UB), Ricardo Silva Diniz (vice-presidente da Câmara). – Foto: Reprodução/TSE

Fraude à cota de gênero

O União Brasil foi o segundo partido mais votado no município, conquistando três cadeiras na câmara de vereadores. 

No entanto, a juíza Maria Celma Louzeiro Tiago apontou que o partido utilizou uma candidatura fictícia de uma mulher, com o objetivo de cumprir a exigência legal de 30% de candidaturas femininas, sem a real intenção de concorrer. 

A candidata, que não recebeu nenhum voto, nem mesmo o seu próprio, não apresentou provas de participação efetiva na campanha.

A decisão destacou a ausência de movimentação financeira significativa e a falta de material de campanha, além da ausência de registros que confirmassem a atuação da candidata. 

O pedido de desistência da candidatura também foi protocolado fora do prazo legal, o que contribuiu para a conclusão de que a candidatura foi apenas uma formalidade para cumprir a cota de gênero, sem intenção de disputa eleitoral.

Defesa do União Brasil para a polêmica em Paraíso do Tocantins

Em resposta à sentença, Vanderlei José de Oliveira, presidente do União Brasil, expressou seu descontentamento, considerando a decisão “equivocada” e “contrária aos fatos”. 

A defesa do partido afirmou que a ausência de votos foi consequência de uma desistência informal da candidata devido à falta de apoio e recursos, mas que o processo de renúncia não foi formalmente homologado pela Justiça Eleitoral. 

A defesa também argumentou que a candidatura foi legítima, com abertura de conta bancária e confecção de material gráfico.

Consequências da decisão

Se a decisão for mantida nas instâncias superiores, todos os votos dados ao União Brasil nas eleições de 2024 serão considerados nulos, e os mandatos de Vanderlei José, Ricardo Silva Diniz e Alailson Lemos serão cassados. 

A inelegibilidade dos três vereadores será válida por oito anos, afetando a possibilidade de futuras candidaturas pelo partido.