JUSTIÇA MILITAR

STM decreta prisão de tenente do Exército por mortes de garimpeiros em Roraima

Supremo Tribunal Militar mantém prisão preventiva de tenente acusado de matar garimpeiros em terra indígena de Roraima em operação de patrulha fluvial.
Redação Portal Norte
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O Supremo Tribunal Militar (STM) decidiu por unanimidade pela prisão preventiva de um tenente do Exército. Ele é acusado pelo envolvimento na morte de dois garimpeiros, no Rio Uraricoera, em Roraima. 

A região está situada em terra indígena, próxima à fronteira com a Venezuela e o processo tramita em segredo de justiça.

De acordo com o Ministério Público Militar (MPM), o oficial chefiava um pelotão especial de fronteira. Ele também liderava uma patrulha fluvial com mais sete militares.

Na madrugada do dia 21 de setembro de 2023, o grupo perseguiu três garimpeiros que fugiram ao ver os militares chegando. Na abordagem, tiros foram disparados, com munição de borracha e também munição letal.

A denúncia indica que um dos garimpeiros levou um tiro de fuzil e morreu na hora. O segundo, foi esfaqueado até a morte por militares da patrulha. Depois, os corpos foram amarrados no motor da embarcação e jogados no rio.  

O terceiro garimpeiro sobreviveu depois de ser ferido com balas de borracha. Ele foi abandonado às margens do rio e denunciou o caso para policiais locais.

Um indígena que supostamente seria o guia da embarcação dos militares também relatou os fatos às autoridades do Exército e da Polícia Federal.

Território indígena. Foto: Webert da Cruz/IEB

Fora as acusações de homicídio, os militares estão sendo investigados por ocultar o corpo e destruir provas. No começo, a Justiça Militar da União em Manaus decretou a prisão do tenente, mas a juíza federal revogou a medida, que notou contradições no depoimento do indígena.

Prisão mantida

O MPM recorreu ao STM para restabelecer a prisão do tenente, apresentando novos elementos de provas, e pediu também a prisão dos demais sete militares integrantes da patrulha fluvial que abordou os garimpeiros.

O ministro Carlos Vuyk de Aquino, relator do caso, acatou parcialmente o pedido do Ministério Público, decretando somente a prisão do oficial, comandante da patrulha e executor do tiro e acusado de desferir os golpes de faca.

Em seu voto destacou que, “a partir do conhecimento dos novos elementos colhidos pelo Órgão ministerial, além da prova do fato e dos indícios de autoria, restam plenamente identificados os requisitos da garantia da ordem pública e da periculosidade do agente, assim como da conveniência da instrução criminal e da necessidade de manutenção dos Princípios da hierarquia e da disciplina castrenses”.

*Com informações de CNN