Nem só de festas de São João o mês de junho é marcado. Há 20 anos, em 6 de junho de 2005, foi revelado no Brasil o escândalo que ficou conhecido como Mensalão. Apesar disso, a suspeita de um esquema de compra de apoio político já era assunto desde o ano anterior.
Uma reportagem do “falecido” Jornal do Brasil, em 2004, com o título “Miro denuncia propina no Congresso” falava sobre pagamento de deputados em troca de apoio político.
Contudo, o então deputado Miro Teixeira, ex-ministro das Comunicações daquele primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), negava as informações publicadas.

Em 2005, em maio, a revista Veja divulgou um vídeo em que o funcionário dos Correios Maurício Marinho aparece descrevendo um esquema de corrupção na estatal, citando o então presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson.
O termo Mensalão foi concretizado em uma entrevista de Jefferson à Folha de São Paulo. Ele falava que o esquema tinha por objetivo pagar propinas aos parlamentares de partidos como Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Liberal (PL), além do próprio PTB.
Dessa forma, o dinheiro tinha como objetivo fazer com que os partidos votassem favoráveis aos projetos de interesse do governo petista.

O escândalo gerou grande repercussão em Brasília, com diversas reportagens e instalação de processos por quebra de decoro parlamentar na Câmara, além de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF).
Queda petista
As investigações e o julgamento do processo se fincaram como referências em cobertura em tempo real e movimento da opinião pública. O desgaste da imagem do governo ficou em exibição com a queda do então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Mesmo assim, Lula conseguiu vencer as eleições do ano seguinte. O petista venceu em cima de Geraldo Alckmin (PSB), hoje seu vice-presidente, que antes estava no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Consequências
Ao todo, as investigações no Congresso resultaram em pedidos de cassação contra 18 deputados envolvidos no escândalo do Mensalão. Apenas três — Roberto Jefferson, José Dirceu e Pedro Corrêa — tiveram os mandatos cassados e perderam os direitos políticos por oito anos.
Outros, como Valdemar Costa Neto (PL), optaram por renunciar antes da abertura dos processos de cassação.
Em 2006, a Procuradoria-Geral da República denunciou 40 pessoas ao Supremo Tribunal Federal por participação no esquema. No ano seguinte, o STF acolheu a denúncia, transformando-a em ação penal e tornando os acusados réus.
O julgamento teve início em 2 de agosto de 2012. Logo no primeiro dia, o advogado Márcio Thomaz Bastos pediu o desmembramento do processo — argumento apoiado pelo então ministro revisor Ricardo Lewandowski.

O relator, Joaquim Barbosa, reagiu com veemência, marcando o início de uma tensão que atravessaria todo o julgamento. O pedido foi rejeitado.
No dia seguinte, a denúncia foi lida pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A defesa alegou se tratar de prática de caixa dois. Para organizar a análise, os ministros decidiram dividir os votos por núcleos de atuação.
O julgamento começou pelo núcleo operacional, liderado pelo publicitário Marcos Valério, apontado como o principal articulador financeiro do esquema. Em seguida, foi analisado o núcleo financeiro, que envolvia instituições como o Banco Rural e o BMG.
Depois, veio o núcleo político, composto por figuras como José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, entre outros. Ao todo, o julgamento teve mais de 50 sessões e resultou na condenação de 24 dos 38 réus.
*Com informações de CNN