ENERGIA

Governo corre para conter alta na conta de luz após derrotas no Congresso; entenda nova MP

Governo tenta frear aumento nas tarifas de eletricidade após derrota no Congresso com nova medida que altera financiamento de subsídios do setor.
Redação Portal Norte
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Para evitar um impacto direto nas contas de luz dos brasileiros, o governo federal publicou nesta sexta-feira (11) uma Medida Provisória (MP) que altera a forma de financiamento de subsídios no setor elétrico.

A iniciativa tenta reduzir os efeitos da derrubada de vetos à Lei das Eólicas Offshore, que pode gerar um aumento de até R$ 35 bilhões por ano nas tarifas de energia.

A MP foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União e traz mudanças na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal fundo usado para financiar políticas públicas do setor elétrico.

O que é a CDE e por que ela afeta sua conta de luz?

A CDE é um fundo que financia políticas como:

  • Tarifa social para famílias de baixa renda
  • Universalização do acesso à energia elétrica
  • Compensações a distribuidoras em áreas com energia mais cara

Hoje, 71% dos recursos da CDE vêm dos consumidores, que pagam os custos embutidos na conta de luz.

Com a derrubada dos vetos no Congresso, esse custo cresceria de forma exponencial, pesando ainda mais no bolso da população nos próximos anos.

O que muda com a nova MP?

A Medida Provisória define as seguintes principais mudanças:

  • Teto para a CDE: a partir de 2026, haverá um limite de gastos para o fundo
  • Nova divisão dos custos: caso o teto seja ultrapassado, a diferença será paga pelas próprias empresas que se beneficiam dos subsídios (geradoras, distribuidoras e comercializadoras)
  • Criação de novo encargo: chamado de Encargo de Complemento de Recursos (ECR), será cobrado dessas empresas de forma escalonada — 50% em 2027 e 100% a partir de 2028
  • Proteção de programas sociais: a MP garante que o Luz para Todos e a Tarifa Social não serão impactados pelo novo encargo

O que mudou em relação às termelétricas?

Um dos maiores impactos da derrubada dos vetos à Lei das Eólicas Offshore foi a obrigação de contratação de termelétricas, mesmo sem necessidade — o que, além de encarecer a energia, aumentaria a emissão de poluentes.

A nova MP altera essa regra ao:

  • Substituir as termelétricas por pequenas centrais hidrelétricas (PCHs)
  • Autorizar a contratação de até 3 gigawatts (GW) em PCHs por meio de leilão
  • Prever que essas usinas só comecem a operar a partir de 2032, em fases
  • Permitir que até 1,9 GW adicionais sejam contratados, caso o setor identifique necessidade técnica e econômica

A medida também trata da gestão do gás natural da União, dando mais autonomia ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para definir:

  • Condições de uso da infraestrutura de escoamento e transporte
  • Preços de acesso ao gás controlado pela PPSA, estatal do pré-sal
  • O objetivo é baratear o custo do gás natural para a indústria brasileira, o que pode beneficiar setores como fertilizantes e siderurgia.