PRIVACIDADE

Drogarias no Amazonas estão sob a suspeita de vender dados de quem informa CPF nas compras

Defensoria Pública do Amazonas investiga possível venda indevida de dados pessoais de clientes que fornecem CPF para obter descontos em compras de medicamentos.
Redação Portal Norte
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Drogarias que atuam no Amazonas estão sob a suspeita de “uso indevido de dados sensíveis dos consumidores” por meio do CPF. A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) instaurou um Procedimento Coletivo que deve apurar eventuais irregularidades.

O órgão busca apurar possíveis irregularidades na prática de solicitar o CPF dos clientes em troca de supostos descontos. O coordenador da Defensoria Pública Digital, Arlindo Gonçalves, explicou que existem diversos relatos que indicam a suspeita no Amazonas.

Dados supostamente vendidos por drogarias no Amazonas

Além disso, o defensor público explica que há indícios de conduta abusiva, com valores fictícios acima do praticado. Com o fornecimento do CPF para o desconto, os estabelecimentos teriam acesso a dados sobre saúde, conduta sexual e mais.

“De posse destes dados, é possível comercializá-los com empresas de publicidade ou planos de saúde, por exemplo”, detalhou.

Segundo Arlindo, os dados pessoais são protegidos pela Constituição e pela Lei Geral de Proteção de Dados, portanto o seu uso por terceiros necessita de consentimento expresso do titular, mediante ampla transparência sobre o uso que se pretende realizar.

Lei Geral de Proteção de Dados

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é a legislação brasileira que regula o uso de dados pessoais por empresas, órgãos públicos e qualquer outra entidade. Seu objetivo é proteger a privacidade e garantir o controle do cidadão sobre as próprias informações.

No caso, o DPE-AM se junta ao Ministério Público Federal para avaliar indícios da composição de Banco de Dados.

Agora, a Defensoria deve notificar as empresas, solicitando informações sobre as políticas internas de precificação, concessão de descontos e tratamento de dados pessoais.

Além disso, solicitará informações à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos – CMED a fim de esclarecer a metodologia utilizada para a definição do preço máximo ao consumidor (PMC).

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados – ANPD foi acionada para informar as providências adotadas diante de supostas ocorrências.