A falta de medicamentos no serviço público de saúde de Roraima tem comprometido o tratamento de crianças com doenças como a puberdade precoce.
Sem acesso aos remédios fornecidos pelo governo, pais relatam dificuldades para manter o acompanhamento médico adequado e denunciam o impacto emocional e físico causado pela interrupção do tratamento.
Valderi Pereira, pai de Jasmin de 9 anos, denunciou ao Grupo Norte de Comunicação nesta segunda-feira (21), que a filha está há dois meses sem o remédio imprescindível para tratar sua puberdade precoce, condição diagnosticada aos 8 anos.
Segundo Valderi, o medicamento nomeado leuprorrelina antes era entregue pela Sesau (Secretaria Estadual de Saúde), mas agora está em falta e sem previsão de reabastecimento. A medicação equivale a quase o valor de um salário mínimo, o que impossibilita a família de comprar com facilidade.

“Todo mês é esse transtorno”, relatou o pai ao descrever a aflição da filha que chora pedindo que o remédio não falte.
O pai afirma ainda que, se as receitas não forem utilizadas rapidamente, vencem e impedem a emissão de um novo estoque quando necessário, o que agrava ainda mais o problema. Segundo ele, já perdeu duas receitas por esse motivo.
Fragilidade na rede pública de saúde estadual
Ao longo dos anos, a Sesau enfrentou repetidas denúncias de falta de medicamentos em diferentes setores do sistema público.
A falha na entrega do medicamento evidencia problemas na gestão dos estoques da secretaria, que deveria garantir fornecimento contínuo conforme diretrizes federais.
Enquanto isso, a população depende da saúde privada ou do próprio bolso, pagando por um remédio caro para garantir a continuidade do tratamento.
Entenda o que é a Puberdade Precoce
A puberdade precoce ocorre quando sinais puberais surgem antes dos 8 anos nas meninas e dos 9 nos meninos. Os sintomas incluem desenvolvimento mamário, pelos pubianos e menstruação precoce, impactando o crescimento e a saúde emocional do paciente.
A leuprorrelina é um bloqueador hormonal que interrompe esse processo e está inclusa no protocolo do SUS para puberdade precoce central desde 2022.
Sem a medicação, a puberdade prossegue sem controle, acelerando a maturação óssea e podendo prejudicar estatura final da criança.