O Acre registrou um aumento expressivo no número de queimadas neste mês de julho, mesmo com o retorno das chuvas nesta semana.
Os danos ambientais já causados preocupam autoridades e afetam diretamente a população.
Número de focos de queimadas sobe 650% em um mês no Acre
No último domingo (27), mais de nove hectares de mata foram destruídos pelo fogo no Conjunto Villages Tiradentes, em Rio Branco.
O incêndio avançou rapidamente, deixando um rastro de devastação na vegetação e atingindo animais silvestres.
Entre os resgatados, estavam um tamanduá-mirim e um filhote de coruja, levados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Ibama.

Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Acre registrou 159 focos de queimada em julho — aumento de mais de 650% em relação a junho, que teve 21 focos.
Em comparação com o mesmo mês do ano passado, no entanto, houve uma redução de 65%.
“O final de junho e o início de julho foram muito secos. Qualquer fagulha pode provocar um grande incêndio, e o combate nem sempre é fácil. Em alguns casos, os bombeiros levam de quatro a cinco horas para controlar um único foco. Por isso, alertamos a população: qualquer tipo de queimada, por menor que pareça, pode se espalhar e causar grandes danos. Além disso, é crime e libera gases extremamente tóxicos”, afirmou o coronel Carlos Batista, da Defesa Civil do Acre.
Os focos de incêndio se espalham por várias regiões do estado. Cruzeiro do Sul lidera o ranking, com 23 registros, seguido por Tarauacá, Feijó e Acrelândia, com 15 focos cada.

Em Rio Branco, foram 11 focos até o momento. No acumulado do ano, o estado soma 231 queimadas — número menor que o de 2024, mas ainda superior ao de dois anos atrás.
A capital acreana enfrenta uma névoa constante. A fumaça, somada à baixa umidade, torna o ar mais seco e perigoso para a saúde.
Rio Branco já está entre as três cidades mais poluídas do país. O índice de qualidade do ar chegou a 50, considerado moderado, mas com potencial de afetar crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Estiagem
Depois de quase dois meses de estiagem, a chuva voltou a cair com força na última segunda-feira (28), o que trouxe alívio temporário e ajudou a reduzir a concentração de fumaça no ar.
Apesar disso, o nível do Rio Acre segue baixo: chegou a 1,58 metro, um dos menores dos últimos dez anos.
Diante do cenário, a Prefeitura de Rio Branco lançou o Plano de Combate às Queimadas Urbanas 2025.
Entre as medidas estão campanhas educativas, intensificação da fiscalização e a criação de um novo portal para denúncias ambientais, já disponível no site da prefeitura.