Um clima de revolta e indignação tomou conta da Rua João Pessoa, no bairro Betânia, zona sul de Manaus, após moradores denunciarem a morte de pelo menos quatro animais de estimação – três gatos e um cachorro – por envenenamento proposital.
Os casos vêm se repetindo há cerca de dois meses, com características semelhantes entre as vítimas.
As suspeitas foram confirmadas após câmeras de segurança registrarem o momento em que um homem supostamente lança alimentos contaminados com veneno em frente a residências da área.
O principal suspeito, identificado como Altair Torres, é morador da mesma rua. Desde a divulgação das imagens, ele não foi mais visto em casa.
Segundo os moradores, os animais apresentavam os mesmos sintomas antes de morrer: vômito intenso, salivação excessiva e convulsões, o que levantou suspeitas de envenenamento em série.
Um dos casos mais recentes foi levado a uma clínica veterinária, que confirmou a causa da morte como envenenamento por substância tóxica.
Além disso, um dos cães, chamado Simba, foi exumado nesta semana para fins de necrópsia. O laudo técnico deve confirmar a hipótese de envenenamento e será anexado à investigação conduzida pela Polícia Civil do Amazonas.
Câmeras flagraram o suspeito
Após a constatação das mortes, moradores se mobilizaram para investigar os casos por conta própria.
Imagens de câmeras de segurança instaladas em residências flagraram Altair Torres arremessando pedaços de carne acondicionados em fundos de garrafa PET, supostamente envenenados, na frente das casas.
Segundo relatos, ele teria utilizado restos de galinha misturados com veneno, como o popular “chumbinho”, proibido no Brasil por sua toxicidade.
“A gente conseguiu ver claramente ele pegando o recipiente e jogando em frente às casas. É revoltante”, disse um dos vizinhos, que também perdeu um gato envenenado.
A dor da perda uniu os moradores em uma espécie de rede solidária de proteção aos animais. Todos conhecem os pets da região, inclusive os animais de rua que são alimentados coletivamente. Foi essa familiaridade com os bichos da comunidade que ajudou a identificar o padrão das mortes.
Suspeito pediu desculpas, mas fugiu
Após a repercussão do caso, Altair teria enviado um áudio pedindo desculpas a um dos vizinhos, alegando que a intenção era “matar ratos”, não cães e gatos.
No entanto, segundo os moradores, as imagens mostram claramente que ele arremessava o alimento envenenado à distância, em áreas públicas, o que reforça a suspeita de premeditação.
A Polícia Militar esteve na residência do suspeito ainda no domingo (3), mas ele já havia deixado o local. A casa segue trancada e com cadeado no portão. A Polícia Civil aguarda agora a conclusão dos laudos periciais para indiciá-lo formalmente.
Polícia investiga crime ambiental
O caso está sendo investigado pelo 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que já recebeu as imagens, denúncias formais e boletins de ocorrência registrados pelos moradores.
O envenenamento desses animais no bairro de Manaus é tipificado como crime ambiental, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que prevê penas de detenção e multa para quem pratica maus-tratos.
Além disso, os moradores reforçam o apelo para que organizações de proteção animal e autoridades públicas se posicionem diante da gravidade do ocorrido.
A comunidade teme que novos casos aconteçam, colocando em risco não apenas os animais, mas também crianças que circulam pela área.
“É um alerta para todos: o mesmo veneno que matou nossos pets poderia ter matado uma criança”, concluiu um morador.