Moradores da comunidade Novo Horizonte, localizada ao lado da fábrica da Effa Motors, atingida por um incêndio de grandes proporções no Distrito Industrial II, Zona Leste de Manaus, realizaram um protesto nesta quarta-feira (6) em meio à fumaça tóxica que ainda se espalha pela região.
O grupo denunciou problemas de saúde provocados pela inalação da fumaça, ausência de assistência médica, falta de infraestrutura básica e o completo abandono das autoridades. A situação é tratada como desastre ambiental pela Prefeitura de Manaus.
‘Estamos respirando veneno’: moradores relatam sintomas
Dona Rosa, moradora da comunidade, precisou sair de casa em busca de ar puro, mas mal conseguiu falar, tamanha a irritação em sua garganta.
“Desde ontem, minha garganta está tampada, dói pra engolir saliva. Estou tonta, com pressão alta e muita tosse”, contou.
Sem posto de saúde no bairro e com dificuldade para acessar remédios, ela relata que a população sofre ainda mais com a distância e os problemas no transporte.
“Se a gente passar mal, não tem pra onde correr. Uber não vem por causa dos buracos, e o SAMU não entra aqui.”

Crianças com asma agravam estado de saúde
A situação se agrava para mães com filhos com doenças respiratórias. Uma das manifestantes afirmou que seus três filhos sofrem de asma, sendo um deles em estado grave.
“Desde que a fumaça começou, meu filho de dois anos não consegue respirar direito. Se ele piorar, como eu levo ele pro hospital com essa rua toda esburacada?”, questiona.
Outra mãe contou que a filha não conseguiu sequer participar do protesto por estar com crise asmática severa. “Fiquei com medo de sair e acontecer o pior no caminho. Chamar o SAMU é inútil, eles não vêm.”
O protesto ganhou força justamente pela inacessibilidade da comunidade. Sem urbanização, com ruas cheias de buracos e lama, os moradores alegam que os serviços públicos, como ambulâncias, não conseguem chegar às residências. Muitos já se recusaram a atender a região.
“Tem gente aqui passando mal, mas não consegue sair. Se a TV não tivesse vindo, a gente estava invisível”, declarou uma manifestante, segurando um cartaz com os dizeres: “Queremos ser reconhecidos”.
Apesar da chuva que caiu em Manaus durante a tarde ter contribuído para reduzir a intensidade da fumaça causada pelo incêndio, o clima na comunidade segue de tensão. Muitas pessoas circulam com máscaras, tentando se proteger do ar poluído.
Segundo os moradores, nenhuma autoridade de saúde foi até o local para prestar assistência direta. O Corpo de Bombeiros segue atuando para conter o fogo, que já dura mais de 24 horas.
População cobra providências imediatas
Durante o protesto, os moradores deixaram claro que não protestam apenas por causa do incêndio, mas pelo histórico de abandono. Eles exigem:
- Urbanização das vias
- Posto de saúde na comunidade
- Atendimento médico emergencial
- Assistência para os afetados pela fumaça tóxica
- Investigação sobre o impacto ambiental
“Queremos ser tratados como seres humanos. Não temos saúde, não temos segurança, não temos transporte. Só temos a fumaça pra respirar”, desabafou uma moradora.