O deputado estadual Wilker Barreto (Cidadania) voltou a criticar a falta de transparência nos contratos firmados com Organizações Sociais (OSs) que atuam na saúde pública do Amazonas.
Em entrevista ao Portal Norte, ele afirmou que a situação exige investigação urgente e anunciou que oficializou questionamentos à Secretaria de Saúde do Estado (SES-AM).
Segundo o parlamentar, os contratos firmados com as OSs ultrapassam a casa dos R$ 5 bilhões em cinco anos, mas a qualidade da prestação de serviço à população não acompanha os valores investidos.
“São contratos vultuosos, que passam da casa de bilhões. E a prestação de serviço não está condizente com o contrato”, disse Wilker.
Além disso, ele destaca o que classifica como uma “total falta de transparência” no uso dos recursos públicos destinados à saúde, e reforça a necessidade de investigação por meio da CPI das OS, da qual ele é um dos principais defensores.
Assista entrevista para a TV Norte:
Licença médica, mas com fiscalização ativa
Wilker informou ainda que ficará afastado por 15 dias devido a uma cirurgia nas cordas vocais. Mesmo assim, oficializou os questionamentos à SES-AM para que sejam respondidos durante o período em que estiver de licença médica.
“A Secretaria de Saúde terá os 15 dias que eu estarei afastado para responder ao parlamento. Na ausência disso, a convocação dela é iminente”, avisou.
O deputado enfatizou que sua atuação não é motivada por politicagem, mas sim pelo dever de fiscalizar. Ele reforçou que, ao fim do prazo, espera que a secretária se manifeste de forma clara sobre os questionamentos levantados por ele.
Representações e contratos sob suspeita
Durante a mesma fala, Wilker Barreto revelou que o Ministério Público acatou uma representação de sua autoria sobre irregularidades em um contrato de R$ 200 milhões na área de telemedicina.
O serviço teria sido contratado de uma empresa do Piauí, estado com porte muito menor que o Amazonas, que já é investigada por suspeita de superfaturamento em três outros estados.
” O Ministério Público acatou uma representação minha que aponta irregularidades no contrato de telemedicina de 200 milhões de reais de uma empresa do Piauí, bem menor do que o Amazonas, que já responde por suspeita de superfaturamento em três estados”, afirmou o deputado.
Ele também citou que os contratos firmados com hospitais como Delfina Aziz, 28 de Agosto e Platão Araújo somam mais de R$ 5 bilhões e precisam ser auditados com rigor.
Por fim, o deputado alertou que o parlamento não pode se calar diante da ausência de respostas da SES-AM. Ele afirma que, se houver silêncio por parte da gestão da saúde, a convocação da secretária será inevitável.
“Na negativa e no silêncio por parte da Secretaria de Saúde, o parlamento tem que ter a coragem de cumprir o seu papel.”