“Adultização” é um termo usado para descrever a exposição precoce de menores de idade a comportamentos do mundo adulto, sobretudo nas redes sociais. A prática inclui desde a erotização até a participação de menores em conteúdos de entretenimento.
O debate ganhou projeção nacional após uma denúncia feita pelo youtuber Felca, onde critica a forma como crianças são expostas em ambientes digitais. Além disso, em um vídeo com quase 50 min, acusa criadores de conteúdo de lucrar com esse tipo de prática.
Um dos principais nomes citados no vídeo foi o influenciador Hytalo Santos, apontado por Felca como responsável por expor menores em seus conteúdos. Segundo o youtuber, esse tipo de prática amplia a vulnerabilidade das crianças e pode atrair pedófilos e criminosos.
Dias depois, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), agradeceu a iniciativa de Felca e anunciou a análise do PL nº 2.628/2022, que prevê punições a plataformas e diretrizes de controle parental para proteger menores online.
Conheça o “PL da Adultização”
Também conhecido como PL da Adultização, o projeto visa reforçar a proteção digital de crianças e adolescentes. O texto, relatado pelo deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), estabelece que plataformas adotem medidas para prevenção de riscos.
Entre os pontos centrais, o projeto obriga os provedores a oferecer ferramentas de controle parental acessíveis e de fácil uso, permitindo que os responsáveis monitorem atividades, restrinjam operações financeiras e visualizem interações de adultos com menores.
O texto também atribui ao Poder Executivo a tarefa de regulamentar as diretrizes desses mecanismos.
Em caso de descumprimento, estão previstas sanções que vão de advertências e multas de até 10% do faturamento no Brasil (limitadas a R$ 50 milhões por infração) até a suspensão ou proibição de atividades. Os valores arrecadados com multas serão destinados ao Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente.
Felca x Hytalo Santos: atualizações
Em 6 de agosto de 2025, Felca publicou um vídeo de quase 50 minutos no YouTube denunciando práticas de exploração de menores na internet. A repercussão foi imediata: em apenas quatro dias, o conteúdo superou 40 milhões de visualizações.
O caso não ficou restrito em views e likes, mas gerou uma pauta concreta e de interesse público. Um dos principais alvos citados por Felca foi o influenciador Hytalo Santos, acusado de expor crianças em seus conteúdos.
Após a repercussão, seus perfis foram desativados, vídeos desmonetizados e a Justiça determinou que ele não tivesse mais contato com os menores. Dias depois, Hytalo acabou preso na Paraíba, onde já era investigado desde 2024.
A denúncia também desencadeou uma reação em cadeia: em poucos dias, mais de 40 propostas legislativas relacionadas à proteção infantil digital foram protocoladas na Câmara.