JUSTIÇA

Assassinos de Fernando Vilaça são condenados por homicídio qualificado com motivação homofóbica

Tribunal do Amazonas condena agressores de adolescente morto em crime de ódio. Sentença reconhece homicídio qualificado com motivação homofóbica.
Redação Portal Norte
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A Justiça do Amazonas concluiu, nesta terça-feira (20), o julgamento do caso que vitimou o adolescente Fernando Vilaça, de 17 anos, morto em um ataque brutal motivado por homofobia.

A sentença reconheceu o crime como homicídio qualificado por motivo torpe e determinou a internação dos envolvidos pelo período máximo previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que é de três anos, já que todos eram menores de idade à época do crime.

O advogado da família, Alexandre Torres Jr., destacou que a decisão representa um marco de justiça e um recado contra a impunidade em crimes de ódio.

Em nota, os familiares de Fernando agradeceram o apoio recebido durante a investigação e o julgamento, ressaltando que a decisão não elimina a dor da perda, mas traz a sensação de que a justiça foi feita.

“Finalmente poderemos virar a página desse episódio trágico e cruel que tirou a vida de um jovem inocente”, diz o comunicado.

Entidades ligadas à defesa dos direitos humanos também se manifestaram, afirmando que a sentença reforça a necessidade de combater a homofobia e responsabilizar autores de crimes motivados pelo preconceito.

Relembre o caso

Fernando Vilaça foi atacado em 3 de julho, no bairro Gilberto Mestrinho, zona Leste de Manaus, quando saiu de casa para comprar leite.

De acordo com a Polícia Civil, ele vinha sendo alvo de constantes provocações de cunho homofóbico por parte de jovens da região.

Naquele dia, ao questionar os insultos, foi cercado e espancado com extrema violência.

Moradores registraram a cena em vídeo, e as imagens auxiliaram na identificação dos agressores. Fernando chegou a ser socorrido, passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada no dia 5 de agosto.

O laudo médico do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Fernando sofreu traumatismo craniano, hemorragia intracraniana e edema cerebral provocados por ação contundente, confirmando a gravidade da violência.

O caso Vilaça gerou forte comoção e foi considerado um marco no debate sobre crimes de ódio na capital amazonense.

Para familiares e moradores da comunidade, a decisão da Justiça mostra que não haverá mais espaço para impunidade em episódios de intolerância.