POLÍTICA

Bolsonaro e Eduardo indiciados por coação em golpe; PF descobre ‘tentativa de fuga’ para Argentina

Documentos acessados pela PF revelam pressão sistemática do ex-presidente e seu filho contra autoridades. Investigação também aponta rascunho de pedido de asilo na Argentina.
Redação Portal Norte
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A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suspeita de coação a autoridades no âmbito da ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2023.

Segundo o relatório da PF, há indícios de que os dois tentaram atrapalhar o andamento do processo em que Jair Bolsonaro é réu, além de tentativa de abolir o Estado democrático de direito, ao direcionar ações contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional.

A PF teve acesso a mensagens e áudios apagados do celular do ex-presidente, incluindo conversas com o pastor Silas Malafaia e Eduardo Bolsonaro.

Entre os registros, estão instruções de Malafaia para Jair Bolsonaro disparar vídeos nas redes sociais com o objetivo de pressionar autoridades.

Eduardo, por sua vez, enviou mensagens ao pai afirmando que o objetivo era obter impunidade pessoal e bloquear ações do STF, enquanto buscava apoio do governo dos EUA para medidas de retaliação ao Brasil.

Busca e apreensão contra Malafaia

Nesta quarta-feira, agentes da PF cumpriram mandados de busca contra Silas Malafaia, que retornou de Lisboa e foi conduzido à delegacia para prestar depoimento. Apesar das diligências, o pastor não foi indiciado.

Jair Bolsonaro segue em prisão domiciliar, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. A decisão desta quarta-feira reforça as medidas cautelares diante do risco de fuga, incluindo a existência de um rascunho de pedido de asilo político na Argentina, produzido em fevereiro de 2024.

O ministro determinou ainda que a defesa de Bolsonaro se manifeste em 48 horas sobre os descumprimentos das medidas cautelares e sobre o risco de fuga, antes que os autos sejam enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Eduardo Bolsonaro e defesa contestam indiciamento

Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos, criticou o indiciamento, afirmando que se trata de “vazamento de conversas privadas” e que sua atuação não teve o objetivo de interferir em processos no Brasil, mas sim defender liberdades individuais e projeto de anistia aos acusados de tentativa de golpe de 2023.

Ele ainda argumentou que ações como o tarifaço de 50% a produtos brasileiros foram decisões de autoridades americanas, e não dele, e questionou por que a PF não incluiu os responsáveis nos EUA como autores da suposta coação.

O indiciamento ocorre após a PF analisar troca de mensagens e áudios que evidenciam tentativas de coagir autoridades brasileiras, além de atos direcionados a favorecer interesses pessoais do ex-presidente.

A investigação integra o inquérito que ainda não gerou denúncia formal e nem processo penal definitivo, mas o julgamento da ação penal do golpe está marcado para 2 de setembro de 2025.

Página de documento em que Bolsonaro pede asilo na Argentina achado no telefone do ex-presidente — Foto: Reprodução/X