JUSTIÇA

Acusado de causar acidente que matou fisiculturista e amiga será julgado em outubro

Estudante de engenharia será julgado por tribunal do júri acusado de homicídio qualificado. Caso envolve alta velocidade e embriaguez ao volante.
Redação Portal Norte
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O estudante de engenharia civil Fernando Takao Marisihiqui Filho, de 25 anos, vai a julgamento popular no próximo dia 22 de outubro pelo Tribunal do Júri, acusado de provocar o acidente que matou a fisiculturista Ariane Real da Silva, de 31 anos, e Layse Sampaio da Conceição, em outubro de 2023.

O juiz Breno Coutinho, da 2ª Vara do Júri, assinou a decisão que definiu a data e a publicou na quinta-feira (9).

O julgamento ocorrerá no Plenário da 2ª Vara, com a participação de sete jurados populares, responsáveis por decidir se o réu agiu com dolo eventual, quando se assume o risco de matar, ou culpa consciente, quando o resultado é acidental.

Alta velocidade e embriaguez

De acordo com o processo, Fernando dirigia um Chevrolet Camaro 2SS em alta velocidade pela Avenida Ville Roy, zona Leste da capital.

O veículo trafegava a 130 km/h, mais que o dobro do limite permitido (60 km/h). O laudo pericial apontou que o excesso de velocidade foi determinante para a colisão.

Testemunhas relataram que o motorista apresentava sinais de embriaguez logo após o acidente, embora tenha recusado o teste do bafômetro.

Ele está preso preventivamente desde outubro de 2023, poucos dias depois da batida.

Colisão aconteceu em frente à loja agropecuária – Foto: Reprodução / Internet

MPRR acusa por homicídio qualificado

O Ministério Público de Roraima (MPRR) denunciou Fernando por duas vezes como homicídio qualificado e embriaguez ao volante, sustentando que ele assumiu o risco de matar ao dirigir embriagado e acima da velocidade.

Por outro lado, a defesa sustenta que o caso se trata de homicídio culposo, sem intenção de matar.

Os advogados alegam que o réu tentou frear e desviar, ficou abalado com o resultado e que o carro das vítimas teria entrado na via principal sem parar, o que contribuiu para a colisão.

O juiz manteve a prisão preventiva de Fernando ao considerar que a forma como o crime ocorreu demonstra periculosidade e ameaça à ordem pública.

Além disso, o Tribunal também autorizou que familiares de Ariane e Layse atuem como assistentes de acusação no julgamento.

Tragédia registrada por câmeras

O acidente aconteceu em 28 de outubro de 2023, no cruzamento da Avenida Ville Roy com a Rua Presidente Juscelino Kubitscheck, no bairro Canarinho.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o Camaro atinge o veículo das vítimas pela porta do passageiro, onde estava Ariane.

Imagens do momento da colisão – Vídeo: Reprodução / Câmera de Segurança

A fisiculturista morreu na hora e Layse não resistiu após os ferimentos. Ambas ficaram presas às ferragens. Ariane era mãe de um bebê de um ano.

Logo após a colisão, testemunhas relataram que Fernando saiu do carro com uma garrafa de bebida alcoólica e a jogou próximo ao local. Em seguida, ele chorava e dizia que “não viu elas”.

Socorristas levaram o motorista e um passageiro, de 27 anos, com ferimentos leves, ao Hospital Geral de Roraima (HGR).

No atendimento, policiais constataram que o acusado tinha odor de álcool, olhos vermelhos e confusão mental, além de não lembrar dos fatos. A polícia o prendeu em flagrante logo depois.

Histórico de multas

O Camaro envolvido no acidente que matou duas mulheres em Boa Vista acumula quase 30 multas registradas no sistema do Detran-RR.

A maioria das infrações está relacionada a excesso de velocidade e direção sob efeito de álcool, indicando um histórico de conduta de risco do veículo antes da colisão fatal.