Uma operação de reintegração de posse realizada na manhã desta terça-feira (14) resultou na remoção de famílias e destruição de barracos na comunidade indígena Jurupari, localizada no bairro Tarumã, zona oeste de Manaus.
A ação, que começou por volta das 6h, mobilizou equipes da Polícia Federal, ROCAM, Batalhão de Choque e da FUNAI.
De acordo com relatos de moradores, cerca de 200 famílias vivem na área há pelo menos sete anos. Durante a operação, escavadeiras foram usadas para demolir as moradias, o que gerou revolta e protestos entre os ocupantes.
Moradores alegam irregularidades e denunciam ‘corrupção’
Entre os mais indignados estava o cacique Agenor, uma das lideranças da comunidade, que afirmou que os moradores foram vítimas de um suposto esquema de venda irregular de lotes.
“Ela trouxe o povo pra cá e agora quer tomar a terra pra vender. Isso é uma injustiça. Derrubaram as casas das pessoas, pra onde elas vão?”, questionou o cacique.
Segundo ele, a responsável pelo assentamento — uma mulher que se apresenta como indígena — teria loteado e vendido terrenos na área, incluindo a pessoas não indígenas. Agora, essas mesmas famílias estariam sendo expulsas, o que levantou suspeitas de corrupção e falsificação de documentos.
Denúncias apontam venda de terrenos e disputa interna
A reportagem do Povo na TV, que acompanhou a operação, ouviu moradores que afirmam ter comprado terrenos dessa mulher, hoje identificada apenas como líder do assentamento. No entanto, as terras teriam sido retomadas em cumprimento a uma ordem de reintegração de posse.
“Essas pessoas compraram o terreno acreditando que era tudo legal. Agora estão sendo retiradas à força. A revolta é grande”, relatou o repórter durante a cobertura ao vivo.
As autoridades ainda não confirmaram oficialmente quem é o verdadeiro proprietário da área. Equipes da Prefeitura de Manaus, Funai e Governo do Estado foram acionadas para esclarecer a situação e prestar assistência às famílias removidas.
Clima tenso e famílias desabrigadas
Durante a operação em Manaus, a presença das forças de segurança impediu que os moradores resistissem à desocupação, mas o clima seguiu tenso durante toda a manhã.
Parte das famílias permanece no entorno da área, tentando salvar móveis e materiais de construção em meio aos destroços.
A comunidade Jurupari vinha sendo ocupada majoritariamente por indígenas e descendentes, mas, segundo informações preliminares, pessoas não indígenas teriam se instalado nos últimos anos, o que motivou a decisão judicial de reintegração.
As investigações continuam para apurar quem teria autorizado ou vendido os lotes e se houve irregularidades no processo.