ENERGIA

Petrobras recebe sinal verde do Ibama para explorar petróleo na Foz do Amazonas

Petrobras obtém autorização para iniciar perfuração exploratória na região da Foz do Amazonas, com potencial de até 1,1 milhão de barris por dia e reforço de medidas ambientais.
Redação Portal Norte
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A Petrobras obteve nesta segunda-feira (20) a autorização do Ibama para iniciar perfuração de um poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado na região da Foz do Amazonas, a cerca de 500 km da foz do Rio Amazonas e 175 km da costa.

A operação, com duração prevista de cinco meses, visa identificar a presença de petróleo e gás em escala comercial.

Exploração estratégica e segurança energética

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que a Margem Equatorial representa um passo importante para a soberania energética brasileira. Segundo ele, a pesquisa permitirá conhecer melhor o potencial da região e assegurar recursos estratégicos para o país.

A Petrobras ressaltou que a fase atual se limita à pesquisa exploratória, sem produção de petróleo, e que todas as medidas de proteção ambiental foram implementadas para garantir segurança e responsabilidade operacional.

Estrutura ambiental reforçada

O Ibama informou que a licença foi concedida após melhorias no projeto original, incluindo:

  • Construção de um novo Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) em Oiapoque (AP), além do já existente em Belém (PA).
  • Inclusão de três embarcações offshore dedicadas ao atendimento da fauna oleada.
  • Quatro embarcações de apoio nearshore para suporte operacional.

Segundo o órgão ambiental, essas medidas foram cruciais para a viabilidade da exploração, considerando o ecossistema sensível da região.

Potencial econômico da Margem Equatorial

A área é considerada um novo polo estratégico de petróleo e gás, com estimativas de exploração de até 1,1 milhão de barris por dia, superando os campos de Tupi (1 milhão de barris) e Búzios (800 mil).

O Ministério de Minas e Energia calcula que a região pode conter até 10 bilhões de barris de petróleo, reforçando a importância do país para a autossuficiência energética até 2030.

Repercussão e críticas

Enquanto autoridades celebram a decisão, entidades ambientalistas criticam a licença. Segundo Suely Araújo, do Observatório do Clima, a medida representa um retrocesso nas políticas ambientais e um golpe na COP30, prejudicando esforços globais de redução de combustíveis fósseis.

A ex-ministra Marina Silva também comentou sobre o tema, ressaltando que países desenvolvidos devem liderar a transição energética, enquanto o Brasil precisa equilibrar desenvolvimento e responsabilidade ambiental.

Próximos passos da exploração

Antes de iniciar a produção, a Petrobras precisará:

  1. Confirmar a presença de petróleo em volumes que justifiquem investimento em produção.
  2. Declarar a comercialidade da área, dando início à fase de desenvolvimento.
  3. Obter licenciamento ambiental para produção junto ao Ibama.

A expectativa é que a pesquisa forneça dados fundamentais para avaliar a viabilidade econômica e ambiental da exploração na região.

Com informações do G1*