A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) chega ao seu segundo dia nesta terça-feira (11), em Belém (PA), que foi oficialmente designada como capital do Brasil até o fim do evento, no dia 21 de novembro, por decreto presidencial.
O encontro reúne líderes globais, cientistas, ambientalistas e representantes de povos tradicionais para discutir o futuro do planeta e as ações de combate à crise climática.
Segundo o repórter Andrei Araújo, que acompanha a conferência diretamente de Belém, mais de 100 grupos temáticos devem debater propostas e acordos durante os 10 dias de evento.
Transição energética é destaque nas negociações
Entre os principais temas, a transição energética se consolida como um dos pilares das discussões. A proposta busca acelerar a substituição dos combustíveis fósseis por fontes renováveis e menos poluentes, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa e garantindo uma matriz energética mais limpa e sustentável.
Especialistas apontam que o debate é fundamental para o cumprimento das metas globais de neutralidade de carbono até 2050.
Brasil propõe fundo para florestas tropicais
Outro ponto central da COP30 é a preservação das florestas tropicais. O Brasil apresentou recentemente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, uma iniciativa inédita que prevê remuneração a países que mantêm suas florestas em pé.
O fundo deve receber investimentos internacionais, e os países contribuintes também terão retorno financeiro vinculado ao desempenho do mercado global de carbono.
Financiamento climático volta à pauta
O financiamento climático também é tema sensível e estratégico nas negociações. Conforme previsto no Acordo de Paris, países desenvolvidos têm o compromisso de financiar ações climáticas em nações em desenvolvimento, reconhecendo uma “dívida histórica” pela contribuição maior ao aquecimento global.
Durante a COP30, os países do Sul Global devem pressionar para ampliar os valores e mecanismos de financiamento já existentes, buscando mais equilíbrio nas responsabilidades climáticas.
Declaração de Belém e o combate ao racismo climático
Um dos marcos da cúpula de líderes foi a aprovação da Declaração de Belém, que reconhece oficialmente a existência do racismo climático e ambiental.
O documento destaca que povos indígenas, quilombolas e comunidades afrodescendentes são os mais impactados pelos efeitos das mudanças climáticas, reforçando a necessidade de inclusão dessas populações nas decisões e nas políticas de mitigação.
Estrutura e participação do público
A COP30 está sendo realizada no Parque da Cidade, que foi dividido em duas áreas principais:
- Blue Zone (Zona Azul): espaço de negociações oficiais e cúpulas entre líderes e representantes de países.
- Green Zone (Zona Verde): área aberta ao público, com painéis, exposições, apresentações culturais e debates científicos, aproximando a sociedade civil das discussões globais.
Expectativa de protestos e forte participação social
De acordo com a organização, esta edição deve ser uma das mais participativas da história recente, com previsão de protestos e manifestações pacíficas em defesa da justiça climática.
Nas edições anteriores, a pandemia e as restrições políticas em alguns países-sede limitaram o engajamento popular. Agora, com Belém recebendo o evento, espera-se maior mobilização de movimentos sociais e ambientais.