Assinado em 17 de novembro de 1903, o Tratado de Petrópolis marcou uma das negociações diplomáticas mais importantes da história brasileira e selou a incorporação definitiva do Acre ao território nacional.
O acordo colocou fim às disputas com a Bolívia pela região acreana, que vivia intensos conflitos motivados pela exploração da borracha no início do século XX.
A negociação foi conduzida pelo diplomata brasileiro José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, que coordenou um processo complexo para alcançar uma solução pacífica para uma área cobiçada tanto por brasileiros quanto por bolivianos.
Embora a região estivesse majoritariamente ocupada por seringueiros brasileiros, a Bolívia reivindicava soberania sobre o território e buscava concedê-lo a empresas estrangeiras para exploração, o que agravou tensões na fronteira.
“A história acrena ela é voltada pela questão dos seringueiros, que vieram para aqui a partir da revolução industrial, pela necessidade da produção da borracha, então eles vieram por questão de sobrevivência mesmo”, disse a professora de História, Manuely Costa.

Pelo tratado, o Brasil se comprometeu a pagar 2 milhões de libras esterlinas à Bolívia e ceder pequenas áreas fronteiriças nos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia. Em contrapartida, o território acreano passou ao domínio brasileiro.
O acordo também previa a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, concebida para garantir à Bolívia acesso ao Oceano Atlântico por meio do Rio Madeira.
A assinatura do Tratado de Petrópolis é frequentemente lembrada como um marco da diplomacia brasileira, por ter evitado conflitos armados maiores e garantido a solução por meio do diálogo.
“O Tratado de Petrópolis é a finalização de todo o processo, desde a ocupação de brasileiros na parte que a Bolívia reivindicava, a Revolução acreana, comercialização da borracha, anexando o território ao Brasil definitivamente”, destacou a professora.
A incorporação do Acre ampliou a presença brasileira na região amazônica e foi determinante para o fortalecimento econômico do país no ciclo da borracha.

Mais de um século depois, o tratado permanece como símbolo da habilidade diplomática nacional e da importância histórica da consolidação de fronteiras no processo de formação do Brasil contemporâneo.