A relação política entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Congresso Nacional vive um momento de forte desgaste.
Nesta segunda-feira (24), declarações públicas de lideranças das duas Casas expuseram atritos com o governo federal e entre parlamentares aliados, acendendo um alerta sobre a fragilidade da articulação política em um período decisivo para o Executivo.
Com o ano legislativo próximo do fim e pautas estratégicas pendentes — incluindo a votação do Orçamento e da LDO —, os episódios aumentam a tensão e geram incertezas sobre a capacidade do governo Lula de conduzir votações prioritárias.
No Senado, o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que a votação da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) dificilmente ocorrerá ainda em 2025.
Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, ele reconheceu que não há condições políticas nem calendário para avançar.
“Eu acho que nós não teremos tempo hábil para votar ainda no mês que se inicia na segunda-feira que vem”, declarou.
Wagner citou entraves objetivos, como apenas quatro semanas úteis antes do recesso e a pauta carregada pela tramitação do Orçamento e da LDO, mas admitiu que há um componente político relevante.
Segundo ele, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria ficado “chateado” por não ter sido comunicado previamente da escolha de Messias pelo presidente Lula, gerando um clima de “tensão muito grande” na Casa.
O senador defendeu que sempre foi transparente e negou ter alimentado expectativas sobre outro nome.
Crise na Câmara
Enquanto o Senado tenta reorganizar o ambiente, o conflito na Câmara dos Deputados veio a público. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou o rompimento político com o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
“Não tenho mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias”, afirmou Motta à Folha de S.Paulo.
Lindbergh respondeu em nota, classificando a postura como “imatura” e afirmando que o presidente da Câmara age de forma “errática”.
“Política não se faz como clube de amigos. Minhas posições são transparentes e previsíveis.”
“Se há uma crise de confiança, isso tem mais a ver com as escolhas que o próprio Hugo Motta tem feito”, completou.
Entre decisões recentes de Motta que desagradaram o Planalto estão:
- Derrubada da medida provisória do IOF
- Avanço da PEC da Blindagem
- Escolha do deputado Guilherme Derrite (PL-SP) como relator do Projeto Antifacção sem consulta ao governo
Impacto no Planalto e riscos nas votações finais do ano
Os dois episódios são vistos internamente como sinais de um desgaste mais profundo na relação com o Congresso. A avaliação dentro do governo é que:
- as cúpulas do Senado e da Câmara estão insatisfeitas com a articulação política;
- Lula perdeu controle sobre o ritmo das votações e o ambiente interno;
- a base enfrenta dificuldades para manter alinhamento.
Integrantes do Planalto afirmam que a crise pode contaminar temas essenciais e tornar imprevisível a votação da LDO e do Orçamento, pilares da agenda econômica do governo.
Com informações do G1