POLÍTICA

Governo ajusta estratégia e reorganiza articulação da PEC da Segurança

Com mudança de comando no Ministério da Justiça, governo tenta recuperar protagonismo sobre proposta que sofreu alterações significativas na Câmara dos Deputados.
Redação Portal Norte
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O governo Lula avalia estratégias para retomar o protagonismo sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública antes da votação em plenário, prevista para a primeira semana de março.

Considerada prioridade pelo Palácio do Planalto no contexto eleitoral, a proposta sofreu mudanças relevantes na Câmara dos Deputados.

Com a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e da Segurança Pública e a nomeação de Wellington César Lima, na última terça-feira (13), a equipe governista tenta reorganizar a articulação em torno do texto.

Antes do recesso parlamentar, líderes do governo decidiram adiar a votação para 2026, ampliando o prazo para análise do substitutivo aprovado na comissão especial.

O relatório do deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE) introduziu alterações como a autorização para que estados legislem sobre política penal e uma redistribuição maior de recursos da área de Segurança entre os entes federativos.

O texto também resgata pontos polêmicos que haviam sido retirados do PL Antifacção, entre eles a proibição de presos provisórios votarem e a previsão de um referendo para reduzir a maioridade penal em casos de crimes violentos.

Mendonça Filho afirmou que a proposta é “mais elaborada” do que a versão original do governo e que teve boa receptividade entre líderes da Câmara.

As alterações no texto geraram insatisfação no governo e, em especial, no então responsável pela proposta, o ministro Ricardo Lewandowski.

A saída dele do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, no fim da última semana, esfriou a articulação do Palácio do Planalto sobre o tema, uma vez que Lewandowski liderou grande parte das negociações com o Legislativo ao longo de 2025.

Agora, a articulação ficará a cargo de seu sucessor, Wellington César Lima e Silva. De perfil técnico, o ex-advogado-geral da Petrobras é apontado por aliados como um “negociador habilidoso” e um “técnico de mão cheia”.

Ele também já atuou como procurador-geral do ex-governador da Bahia e atual líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT).

“Ele é tão técnico quanto o [ex] ministro Lewandowski, mas é prático. É prático porque foi procurador da Bahia e sabe intermediar entre os poderes […] ele é tranquilo, e um negociador muito habilidoso. Precisamos disso neste momento”, disse o deputado federal Zé Neto (PT-BA).

O novo ministro também mantém bom trânsito com outros quadros do PT baiano ligados diretamente ao presidente Lula, como o governador Jerônimo Rodrigues, o deputado federal José Guimarães e os ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação.

A PEC aguarda votação na comissão especial e deve retomar a tramitação logo após o recesso legislativo, que termina em 2 de fevereiro. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou à reportagem que pretende concluir a análise da proposta ainda no primeiro trimestre deste ano.

A expectativa é de que eventuais ajustes sejam discutidos no retorno dos trabalhos, durante a primeira reunião de líderes da Casa em 2026.

Integrantes do atual Ministério da Justiça também reiteram a avaliação de que a proposta deve avançar nos próximos meses. Desde dezembro, a pasta analisa o relatório apresentado pelo deputado Mendonça Filho.

Parlamentares da base governista e membros do ministério avaliam que o texto segue na “contramão” da versão defendida por Ricardo Lewandowski. O secretário de Assuntos Legislativos, Marivaldo Pereira, afirmou que, em vez de promover a integração das forças de segurança, o parecer estimula a descentralização.

“A nossa proposta é uma consolidação de esforços. Entendemos que não há nenhum sentido de sacramentar na Constituição uma descentralização. O parecer do deputado Mendonça vai na contramão do que está funcionando hoje”, disse Pereira.

*Com informações de Metrópoles