POLÍTICA

COLUNA DO CARLOS CALDEIRA — “O Gabinete da Família Feliz”

Colunista critica deputado que mantinha familiares em cargos de confiança no gabinete com recursos públicos. Após repercussão negativa, todos foram desligados.
Redação Portal Norte
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Se você achava que o gabinete de um deputado era um espaço sagrado para planejamento legislativo, debates de políticas públicas e articulação séria… bem-vindo ao novo Brasil. Aqui, a cada semana surgem provas de que certos gabinetes são, na verdade, startups familiares, empresas domésticas subsidiadas pelo contribuinte.

E o destaque da semana vai para o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO), que aparentemente descobriu que administrar um gabinete é muito parecido com montar uma ceia de Natal: está todo mundo lá. A companheira, a cunhada, a outra cunhada, o concunhado, o namorado da cunhada… só faltou o papagaio e o sogro para compor a mesa.

E não estamos falando de figurantes, não: é a turma premium, com cargos de confiança, salários generosos e privilégios dignos de quem conhece a porta da frente do poder. No total, mais de R$ 2,1 milhões pagos com aquela contribuição carinhosamente doada pela população brasileira, esse povo que insiste em trabalhar para sustentar “quem trabalha para o povo”.

O mais curioso é que, quando a bomba estourou, veio a explicação padrão:
“Não vejo irregularidade”.
Claro que não. Quem está no topo geralmente não enxerga degrau.

Mas aí a coisa azedou. A repercussão foi grande, a imprensa cavou fundo, e voilà: os familiares foram todos desligados do gabinete. Uma coincidência, obviamente. Nada a ver com o escândalo, nem com a Súmula 13 do STF, nem com o TCU dizendo que parentes em gabinete é nepotismo. Claro que não. Pura sincronia cósmica.

E agora, depois da dança das cadeiras — quer dizer, dança das exonerações — o gabinete finalmente está “limpo”. Até a próxima publicação no Diário Oficial, talvez. Afinal, Brasília funciona no ritmo da música: uma hora samba, outra hora forró, e às vezes um rock pesado quando entra investigação.

Enquanto isso, o eleitor rondoniense — aquele que acorda cedo, enfrenta ônibus lotado, paga a conta de luz, de supermercado e de tudo mais — fica se perguntando:
“E eu? Quando chega a minha vez de ser parente de alguém?”

Pois é, meu caro. Na política brasileira, meritocracia é prima distante. O que conta mesmo é o sobrenome.

PENSAMENTO DO DIA: “Se a política fosse uma empresa familiar, Rondônia estava rica. Pena que só a família do político lucra.”