Nesta quinta-feira, 19 de agosto, é comemorado o Dia Mundial da Fotografia. A data é celebrada por fotógrafos profissionais e amadores em várias partes do mundo através da captura e exposição de seus trabalhos em diferentes mídias, galerias e praças públicas.

Contando com a ajuda da tecnologia, lentes poderosas e até de equipamentos mais simples, eles conseguem traduzir em fotos a sensibilidade profissional do trabalho que eterniza lugares e momentos da humanidade e da natureza.

Para prestigiar a data, o Portal Norte de Notícias convidou os profissionais amazonenses Luiz Ribeiro, 47, e Cristina Ferreira, 50, para falarem um pouco de suas trajetórias como fotógrafos. Eles também apresentaram algumas de suas obras que saíram de um clique e ganharam cores, formatos e infinitas traduções.

Era só um Hobby 

Cristina Ferreira é uma fotógrafa de 50 anos que começou a trabalhar na área da arte ainda na adolescência, quando fez curso de desenho e, posteriormente, já adulta, se formou em Educação Artística e fez pós-graduação em História da Arte. Mas foi na faculdade que ela se apaixonou pela fotografia. 

“Foi nos laboratórios de fotografia que aprendi muitas técnicas, mas ainda levava como hobby. E só depois, quando retornei do Rio de Janeiro para Manaus, iniciei o meu trabalho profissional como fotógrafa, isso há 13 anos”, afirma.  

Para a profissional, a fotografia não é só uma ferramenta de trabalho, é muito mais que um ganha pão.

“Mesmo quando estou fotografando eventos, busco expressar uma beleza naquele espaço da imagem. Daí entra toda uma bagagem cultural aprendida ao longo de muitos anos. A gente consegue se expressar e registrar o momento, e aquilo fica guardado para sempre”, declarou.

Além da fotografia profissional, Cristina disse que tem paixão por fotografar tudo o que vê o tempo todo. 

“Quando não estou com a minha câmera profissional, uso o celular para registrar tudo que acho interessante no cotidiano e também na natureza. Ficam fotos lindas”, conclui. 

Advento do celular 

Porém, com o advento das fotografias feitas a partir do celular, ela disse que houve uma diminuição na oferta de trabalhos. “Não em festas, porque o fotógrafo precisa ter um olhar mais profissional. Mas, por exemplo, na fotografia da gastronomia, eu acredito que teve uma grande queda pela procura do fotógrafo, porque dá pra fazer muita coisa interessante com o próprio celular”, detalha.

Fica a dica!

Cristina explica ainda que, para ser um bom fotógrafo, o novo profissional precisa ter um olhar mais apurado para tudo em sua volta. 

“Ele precisa ficar atento nas revistas, ler livros, observar obras de artes e criar uma cultura visual. Isso é o mais importante, porque a técnica em si, qualquer um tem capacidade de aprender. E se ele se munir de conhecimento, deslancha na carreira”, orienta.

Cianótipo 

Além da fotografia profissional, Cristina está desenvolvendo um trabalho de fotografia alternativa chamado Cianótipo, e já está preparando uma oficina para setembro deste ano.

“Essa é uma fotografia produzida totalmente em casa, desde a preparação do papel comum, dos químicos e dos negativos. E seu resultado é uma fotografia azul, que pode ser alterada para outras tonalidades depois. É linda!”, concluiu. 

 

Primeiros cliques

Já o fotógrafo Luiz Ribeiro conta que a sua paixão pela fotografia começou ainda na infância.

“Foi em 2009 que fiz o meu primeiro curso de fotografia, aí comecei a mudar a minha visão como fotógrafo. E nessa época eu estava morando no interior onde estava estudando como missionário capuchinho para me tornar padre, quando comprei uma câmera e comecei a fotografar”, revela.

Após os estudos, Luiz retornou a Manaus e fez seu primeiro curso de fotografia e, posteriormente, foi dar aula para jovens aprendizes. 

“Mas nesse período estou meio parado porque tem muita gente sem experiência cobrando barato, e são bastante procurados ao invés de um fotógrafo profissional”, lamenta.  

Momentos 

Para ele, a fotografia é a arte de eternizar momentos.

“Entendo que quando qualquer pessoa vê uma foto ela lembra daquele momento importante e especial. E quando batemos uma foto de um mesmo ângulo, sempre aparece algo novo e diferente, nunca é igual. E essa é uma peça fundamental na história do ser humano, porque a fotografia tem muito esse sentimento nostálgico que remete ao tempo bom ou ruim de cada pessoa”, ressalta.  

Concorrência digital 

E sobre o advento das câmeras de celulares, que para alguns fotógrafos deixou escassa a busca por profissionais, Luiz reafirma o pensamento de seus colegas ao dizer que a novidade vem prejudicando o trabalho do profissional que possui um estúdio. 

“Por exemplo, em uma formatura ou em um casamento, quando pessoas passam na frente do fotógrafo com uma câmera de celular e se acham no direito de se meterem na frente da sua câmera. Isso acaba que, quem nos contratou, não nos pagando porque já tem o registro do momento feito por um celular. Mas a gente sabe que esse material não é de qualidade”.   

Na fotografia, Luiz trabalhou em alguns jornais impressos, agências de publicidade, ganhou prêmios e teve fotos publicadas em revistas de grande visibilidade nacional.   

Veja a seguir alguns dos trabalhos dos profissionais.

De Cristina Ferreira

 

Legenda: “Nessa foto usei o recurso de Light Painting, que significa pintura com a luz. Gosto muito dos resultados que são obtidos através da iluminação com a luz de uma lanterna devido ao imprevisto. Em cada imagem, uma surpresa”.

Legenda: “Fé e lazer. Gosto de observar as formas, texturas e cores. Ver o que passa despercebido. Chegar perto e destacar. Essa imagem reúne tudo”.

Legenda: “Tenho grande interesse em pessoas. Observar é meu segredo. Cores, gestos e olhares. A pose é o que se quer parecer”.

 

Legenda: “O Cianótipo é um processo fotográfico histórico. Traz para o presente o fazer manual, o prazer de observar o surgimento da imagem diante dos olhos, a materialidade do dos químicos e papéis”.