Comerciante é condenado por cegar artista com chave de fenda no Acre
Comerciante é condenado a mais de três anos de prisão por lesão dolosa que deixou artista cego de um olho. Vítima relata ter sofrido ofensas homofóbicas durante agressão em 2021.
Redação Portal Norte
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A Justiça condenou o comerciante Rui Barros Vieira a três anos, quatro meses e 25 dias de prisão por lesão corporal dolosa, crime cometido contra o cantor e compositor Pedro Lucas Araujo, em maio de 2021.
A vítima, que na época tinha 20 anos, perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingida com uma chave de fenda durante uma briga.
O caso ocorreu depois que Pedro Lucas tentou intervir em uma agressão contra um amigo. Durante a confusão, ele foi imobilizado com um golpe de mata-leão e, em seguida, atingido no olho esquerdo com uma chave de fenda.
A decisão judicial, emitida em novembro de 2024, determinou que Vieira cumpra a pena em regime semiaberto, sob monitoramento eletrônico. Um segundo réu no processo também recebeu condenação por ter efetuado um disparo de arma de fogo durante o conflito.
Nos autos, o comerciante negou as acusações de homofobia e alegou que usou a ferramenta para se defender. A Justiça permitiu que ele recorra da sentença em liberdade.
“A espera para mim era o pior. Só pelo fato de ele ter sido condenado e de fato ter sido efetivada essa ação, para ele entender que não foi uma besteira, furar o olho de uma pessoa que não te apresentava nenhum tipo de risco. É muito bizarro, é meio sinistro. Isso é um requinte de crueldade mesmo. Então, eu acho que nisso, assim, a falta de punição, o fato de sair impune, para mim, até o momento, me deixava muito inseguro”,conta em entrevista ao G1 Acre.
Caso ainda tramita na Justiça
De acordo com o advogado Kalebh Mota, que representa Pedro Lucas, o processo segue em andamento com recursos da defesa. Além da ação penal, há um pedido de indenização por danos morais e estéticos para reparar os prejuízos causados à vítima.
O advogado destacou que a agressão deixou sequelas permanentes, afetando não apenas a visão do jovem, mas também sua qualidade de vida. Ele defende que a responsabilização dos envolvidos deve ser abrangente, garantindo justiça à vítima.
“É óbvio que eu nunca vou esquecer o episódio, isso é uma coisa inesquecível. Foi um crime muito bárbaro. Toda vez que eu penso, são coisas que no dia a dia se refletem, assim, como um trauma. […] Tanto depois que aconteceu o crime, a nossa rotina [dele e do marido] de segurança mudou, a gente não tinha cachorro em casa. A gente passou a ter cachorro de grande porte, a gente passou a cuidar melhor da questão das câmeras e de tudo mais, porque me gerou um medo. A própria adaptação do olho, a exposição à luz. Até hoje eu tenho que andar com óculos, porque meu olho é muito sensível”, disse.
Após o ataque, Pedro Lucas recebeu atendimento no Pronto-Socorro de Rio Branco e ficou internado por um dia. Dois meses depois, exames confirmaram que ele não voltaria a enxergar com o olho esquerdo.
O jovem chegou a buscar uma segunda opinião médica em São Paulo, mas os especialistas apenas confirmaram a perda irreversível da visão.