SAÚDE

Acre tem fila de espera de mais de 1000 dias para transplante de córnea

Estado enfrenta crise na fila de transplante de córnea, com pacientes aguardando quase três anos pelo procedimento. Acre figura entre os piores índices nacionais, muito acima da média brasileira.
Redação Portal Norte
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O Acre está entre os estados brasileiros com maior tempo de espera para a realização de transplante de córnea, ultrapassando a marca de mil dias na fila. O dado coloca o estado em situação crítica, muito acima da média nacional, que atualmente é de 374 dias.

Enquanto em algumas regiões do país o tempo para a cirurgia não chega a um ano, a realidade acreana faz com que pacientes aguardem por quase três anos até conseguir realizar o procedimento. O atraso impacta diretamente pessoas com doenças degenerativas da córnea e casos como o ceratocone, que podem levar à cegueira progressiva.

De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), estados como Ceará e Santa Catarina conseguem realizar os transplantes em prazos bem menores, chegando a pouco mais de dois meses no caso cearense. Já o Acre, ao lado de Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Alagoas, aparece entre os piores índices nacionais. Os valores foram apresentados durante o 69º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Curitiba (PR).

Entre 2015 e julho de 2025, o Acre realizou apenas 212 transplantes de córnea, número considerado baixo quando comparado a estados de maior porte, como São Paulo, que ultrapassou 52 mil procedimentos no mesmo período.

Fila que cresce e desafios locais

No Brasil, mais de 31 mil pessoas aguardavam por uma córnea até julho deste ano. No Acre, o número é menor em volume absoluto, mas a espera prolongada torna o problema ainda mais grave. Mulheres e idosos são maioria na fila, mas há também jovens e até crianças aguardando pela cirurgia.

Especialistas apontam que a dificuldade do estado está associada à baixa capacidade de captação e processamento de córneas, além da falta de recursos para manter os bancos de olhos. Outro fator é o impacto da pandemia, que represou a demanda por cirurgias eletivas, ampliando a fila.

Apesar das dificuldades, o CBO ressalta que o Brasil continua sendo referência internacional em transplantes. No entanto, alerta que o Acre precisa de medidas urgentes para reduzir o tempo de espera e garantir maior igualdade no acesso ao procedimento, já que a desigualdade entre regiões é hoje uma das principais barreiras enfrentadas pelos pacientes.