Uma pesquisa recente colocou o Acre em evidência ao confirmar a existência de uma espécie inédita de inhambu restrita ao topo da Serra do Divisor, no Juruá.
A ave, registrada entre 300 e 500 metros de altitude, recebeu o nome popular de sururina-da-serra e passa a integrar oficialmente a lista de espécies exclusivas da região.
De acordo com os profissionais, a validação científica é resultado de anos de acúmulo de informações coletadas por equipes que investigavam sons, comportamentos e registros visuais em diversas expedições.
As primeiras suspeitas surgiram em 2021, quando gravações de canto apresentaram características diferentes das espécies já catalogadas.
Novos trabalhos de campo ampliaram o volume de dados, permitindo comparações mais precisas com espécies aparentadas.
Fotografias, registros sonoros recentes e análises detalhadas confirmaram que o animal possui características próprias, reforçando sua classificação como espécie distinta.
A sururina-da-serra é considerada adaptada ao ambiente isolado no topo da serra, uma área de difícil acesso e marcada por condições ambientais particulares.

A descoberta evidencia a importância da Serra do Divisor como um dos maiores reservatórios de biodiversidade da Amazônia.
O isolamento natural do terreno e a variedade de microambientes presentes nos platôs favorecem o surgimento de espécies únicas, muitas delas ainda desconhecidas pela ciência.
O estudo também destaca a necessidade de novos levantamentos em áreas remotas do Acre, que continuam revelando fauna e flora pouco documentadas.
A sururina-da-serra tornou-se símbolo desse potencial, sobretudo por apresentar comportamento extremamente dócil e ausência de medo diante da presença humana.
Isso ocorre porque praticamente não há mamíferos predadores no topo da serra, o que impediu o desenvolvimento de mecanismos de defesa ao longo de sua evolução.
A singularidade do comportamento motivou comparações com o dodô, ave extinta das ilhas Maurício. Assim como ele, a sururina vive isolada, tem hábitos terrestres, corpo compacto e não enxerga humanos como ameaça, características que também a tornam altamente vulnerável.

A espécie ocorre exclusivamente nas formações vegetais mais altas da Serra do Divisor, em áreas de solo arenoso, ventos fortes e vegetação adaptada à altitude, um ambiente que não se repete em nenhuma outra parte da Amazônia.
Por depender de uma faixa tão restrita, qualquer mudança ambiental pode colocar sua sobrevivência em risco, reforçando a urgência de medidas de proteção e monitoramento da região.