O Brasil encerrou 2024 com pouco mais de 2,38 milhões de nascimentos, o menor volume dos últimos anos e parte de uma queda contínua que já dura seis ciclos anuais.
Enquanto o cenário nacional aponta envelhecimento da população e redução acelerada da fecundidade, o Acre apresenta características próprias que chamam atenção dentro do levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) divulgado nesta quarta-feira (10).
O estado lidera o ranking nacional de nascimentos de mães com até 19 anos, representando 19,8% do total de partos registrados em 2024.
O índice é o maior do país e mostra que, apesar da tendência nacional de maternidade mais tardia, o Norte, e especialmente o Acre, mantém taxas elevadas de gravidez precoce.
Rio Branco reflete esse cenário, concentrando a maior parte dos nascimentos do estado e mantendo forte presença de mães jovens nos registros dos cartórios e maternidades da capital.
O fenômeno se diferencia das regiões Sul, Sudeste e Distrito Federal, onde quase metade das mães já ultrapassa os 30 anos no momento do parto.
A queda no número de nascimentos em todo o país também repercute no Acre, que acompanha a tendência de declínio populacional observada desde o Censo 2022.
A redução nacional de 5,8% em apenas um ano é a mais intensa das últimas duas décadas, reforçando o ritmo acelerado de mudança demográfica.
Assim como no restante do Brasil, a maior parte dos registros no Acre é feita dentro do prazo legal de 15 dias, o que demonstra avanço na integração entre unidades de saúde e cartórios.
O Marco Legal da Primeira Infância e os sistemas de registro online contribuíram para o cumprimento desse prazo, especialmente em centros urbanos como Rio Branco.
Outro aspecto identificado pelo estudo é o deslocamento de gestantes para municípios vizinhos em busca de atendimento.
Embora o fenômeno seja mais acentuado em outros estados, o Acre, por possuir grande extensão territorial e áreas de difícil acesso, também registra casos de mulheres que precisam sair de suas comunidades para realizar o parto na capital ou em cidades-polo de saúde.
Com a diminuição do número de nascimentos e a permanência de altos índices de maternidade adolescente, o estado enfrenta um desafio duplo: acompanhar a transição demográfica nacional e, ao mesmo tempo, fortalecer políticas de prevenção, educação em saúde e apoio às famílias jovens.