INFRAESTRUTURA

Acre concentra duas rodovias entre as piores do país, aponta levantamento

Pesquisa da CNT coloca duas rodovias acreanas entre as piores do Brasil, refletindo dificuldades de investimento em estados do Norte e Nordeste.
Redação Portal Norte
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O Acre aparece em posição de destaque negativo no ranking das rodovias brasileiras em piores condições, conforme pesquisa divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

O levantamento revela que todas as dez estradas piores avaliadas do Brasil são administradas pelo poder público, com forte concentração nas regiões Norte e Nordeste.

Entre essas vias, duas rodovias localizadas no Acre figuram na lista das piores do país. A AC-010, sob responsabilidade do governo estadual, ocupa a 535ª posição, enquanto um trecho da BR-364 no Acre aparece ainda mais abaixo, na 541ª colocação do ranking geral. Ambas foram classificadas pela CNT como em estado “péssimo”.

A pesquisa leva em consideração critérios como condições do pavimento, sinalização e geometria da via, fatores que impactam diretamente a segurança viária, o transporte de cargas e a mobilidade da população.

Segundo o presidente da CNT, Vander Costa, a situação enfrentada por estados das regiões Norte e Nordeste está relacionada à dificuldade de atrair investimentos.

Ele explica que há uma combinação de fatores, como menor desenvolvimento econômico, baixa atratividade para concessões e limitações na captação de recursos públicos para infraestrutura rodoviária.

O estudo também aponta um contraste significativo entre rodovias públicas e aquelas administradas pela iniciativa privada.

De acordo com a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, as estradas concedidas apresentam melhores resultados devido aos investimentos concentrados no início dos contratos e à manutenção contínua ao longo do tempo.

Além do Acre, o ranking das piores rodovias inclui vias localizadas em Pernambuco, Rio Grande do Sul, Tocantins, Paraíba e Maranhão, reforçando um cenário nacional de desigualdade na qualidade da malha viária.

A CNT defende a manutenção e ampliação dos investimentos em infraestrutura rodoviária, especialmente em estados com menor capacidade orçamentária, como o Acre.

Entre as medidas sugeridas estão o aumento do número de concessões, o reforço de recursos públicos, a melhoria da sinalização e a ampliação de pontos de parada e descanso para caminhoneiros e passageiros, como forma de reduzir acidentes e garantir mais segurança nas estradas.

No Acre, a precariedade das rodovias segue sendo um desafio histórico, com impactos diretos na economia, no escoamento da produção e na segurança de quem depende das estradas para trabalhar e se deslocar diariamente.