JUSTIÇA

Violência e justiça: conheça a história por trás do monumento da avenida São Jorge em Manaus

Monumento no bairro São Jorge homenageia a 2ª tenente Roxana Bonessi, morta em feminicídio em 2002 que marcou a história de Manaus.
Redação Portal Norte
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Muitas pessoas passam diariamente por um monumento no bairro São Jorge, na zona Oeste de Manaus, mas poucos sabem do que se trata e o motivo de estar lá.

A estrutura de uma concha carregada por botos com uma mulher sentada dentro é bastante conhecida na região. O monumento em questão vai além da estética: ele simboliza uma história de violência e luta por justiça.

Monumento no bairro São Jorge em Manaus

Construído em frente ao pavilhão São Jorge, o monumento homenageia a 2ª tenente do Exército Brasileiro, Roxana Bonessi, vítima de um feminicídio que chocou Manaus em 2002.

Roxana Pereira Bonessi, de 27 anos, era 2ª tenente do Exército e professora universitária. Ela servia no 12º Centro de Gestão, Contabilidade e Finanças do Exército, localizado no bairro Cachoeirinha, zona Sul de Manaus.

Monumento no bairro São Jorge em Manaus
A estrutura de uma concha carregada por botos com uma mulher sentada dentro é bastante conhecida na região – Foto: Reprodução

No local de trabalho, Roxana conheceu o capitão Paulo Nelson Lima Loureiro, com quem iniciou um relacionamento. Um tempo depois, a tenente descobriu que Paulo era casado e que estava em um relacionamento extraconjugal.

Roxana decidiu terminar o relacionamento, mas Paulo não aceitou o fim. O acusado passou a persegui-la e a pressioná-la para uma possível volta.

Caso de Feminicídio

Então, no dia 2 de dezembro de 2002, no estacionamento do local de trabalho deles, Paulo assassinou a tenente com uma facada no pescoço. Em seguida, colocou o corpo no porta malas de seu carro e desovou em um lixão próximo a uma escola agrícola.

Notícia que estambou os jornais da época – Foto: João Pinduca Rodrigues

Ele chegou a voltar no local do crime para apagar qualquer tipo de evidência e provas que tenham ficado por lá. Entretanto, isso não chegou a ser o suficiente para que ele não respondesse pela morte de Roxana.

Na época, a polícia encontrou diversos indícios no carro de Paulo, como manchas de sangue e a capa em que era guardada a arma do crime. Em depoimento, ele alegou que a tenente teria caído em cima da faca e morrido.

Paulo Nelson chegou a receber uma pena de 15 anos, o que gerou a revolta da população na época. Tempos depois, a pena aumentou para 25 anos.

Capitão Paulo Nelson Lima Loureiro sendo preso – Foto: João Pinduca Rodrigues

Após mais de duas décadas, o monumento na avenida São Jorge serve como um lembrete permanente dessa tragédia e da luta contra a violência de gênero.