A obesidade segue em ritmo acelerado no Amazonas e já afeta 25,7% das mulheres e 21% dos homens adultos, segundo o Mapa da Obesidade da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em Manaus, mais da metade da população apresenta excesso de peso, e o cenário preocupa cada vez mais profissionais da saúde.
Dados do GOV.BR mostram que, só em 2022, mais de 17 mil adolescentes foram diagnosticados com obesidade na Atenção Primária à Saúde no estado.
O problema atinge todas as faixas etárias, e cresce também entre crianças. Segundo a endocrinologista Milene Guirado, a chave para entender (e enfrentar) o sobrepeso não está apenas na alimentação ou na academia, mas no ambiente em que se vive.
“O ambiente em que a pessoa está inserida – incluindo os aspectos físicos, sociais e emocionais – exerce influência direta sobre os hábitos alimentares e pode ser um grande sabotador do emagrecimento”, explica.

Pressão social, rotina familiar e fast food
Mudanças no estilo de vida esbarram em um obstáculo invisível: o convívio social e familiar.
“Convites frequentes para happy hours, rodízios e aniversários expõem a pessoa a constantes excessos calóricos. Já em casa, a falta de apoio e o convívio com hábitos alimentares pouco saudáveis, como o consumo frequente de fast food, dificultam ainda mais a mudança de comportamento”, diz.
Ela também destaca que a desorganização, como esquecer a marmita ou não planejar refeições, abre espaço para decisões impulsivas.
Além disso, o ambiente de trabalho e o digital também pesam na balança.

“É muito mais fácil pedir comida pronta do que preparar algo saudável após um dia cansativo. Chegar em casa estressado e encontrar um bolo e uma salada na geladeira. Qual você escolhe? Provavelmente o bolo”, alerta.
Como preparar o ambiente para emagrecer de verdade
A endocrinologista reforça que o ambiente doméstico precisa ser adaptado. Isso inclui evitar o armazenamento de alimentos ultraprocessados e manter frutas e lanches saudáveis à vista.
A rede de apoio também faz diferença.
“Se uma pessoa decide mudar os hábitos alimentares, mas o parceiro continua comprando bolachas, salgadinhos e doces, será muito mais difícil manter o foco. O ideal é que todos se apoiem, mesmo que nem todos estejam no processo de reeducação alimentar”, explica.
Para a endocrinologista, equilíbrio é o segredo.
“É perfeitamente possível aproveitar as festas e continuar no processo de emagrecimento. O corpo consegue lidar com um dia fora da rotina, desde que isso não vire uma regra”, finaliza.
*Com informações da assessoria