CULTURA INDÍGENA

‘É vermelho’: Cacique Tupinambá defende repatriação de manto sagrado em coletiva do Boi Garantido

Cacique Tupinambá participa de evento do Boi Garantido para reforçar pedido de devolução de manto sagrado mantido no Museu Nacional há 386 anos.
Redação Portal Norte
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Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (26), o Boi Garantido recebeu a cacique Jamopoty Tupinambá, Maria Valdelice, para falar sobre o Manto Tupinambá, peça sagrada atualmente no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

A líder indígena destacou a importância histórica do objeto e reforçou o pedido pela sua devolução ao Território Tupinambá de Olivença, no sul da Bahia.

“O manto vive!”: Resistência e nova história

A cacique emocionou ao relatar a trajetória do manto, que ficou 386 anos na Dinamarca antes de retornar ao Brasil.

“O manto vive! Ficou 386 anos na Dinamarca, mas hoje está no Brasil, e tem que contar essa nova história. O Garantido vai contar essa nova história, isso é que é importante para nós.”, declarou.

Maria Valdelice é filha de Amotara Tupinambá, primeira mulher a reconhecer e ser reconhecida pelo Manto Sagrado e a iniciar a luta pela repatriação.

Ela também destacou o momento difícil enfrentado pelo povo Tupinambá na Bahia, com conflitos por demarcação de terras, mas ressaltou a importância de celebrar a cultura.

“É feliz demais para mim poder estar aqui. Na Bahia, todo mundo sabe que está passando por um momento muito difícil, por não ter suas terras demarcadas, muito sangue correndo. Mas a gente tem que mostrar a nossa felicidade no estádio. E o manto é Garantido. E venhamos garantir essa vitória para nós”.

Boi Garantido reforça aliança com a luta Tupinambá

Boi Garantido afirmou que a presença da cacique no evento simboliza resistência e espiritualidade, reforçando o compromisso com a causa indígena.

“Com respeito aos protocolos de consulta junto ao povo Tupinambá, estaremos juntos a eles na arena para honrar sua espiritualidade, sua história de resistência, sua luta pela demarcação de terras e contra o Marco Temporal”.

A apresentação reforça a ligação entre cultura popular e ancestralidade indígena, trazendo visibilidade à reivindicação pela repatriação do manto e à defesa dos direitos territoriais Tupinambá.