Uma esteticista de 30 anos acabou presa em flagrante no município de Tefé, no Amazonas, suspeita de exercer ilegalmente a medicina ao aplicar o medicamento tirzepatida, princípio ativo do Monjaro, sem autorização médica.
A substância trata diabetes tipo 2 e obesidade, no entanto, pessoas a utilizam de forma irregular para emagrecimento.
A prisão ocorreu após uma denúncia encaminhada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), que apura o uso indevido do medicamento em clínicas estéticas da cidade.
A investigação começou quando a própria clínica divulgou em redes sociais a aplicação do Monjaro, cuja venda e uso são regulados pela Anvisa e exigem receita médica com retenção.

De acordo com o delegado Renato Ferraz, titular de Tefé, a esteticista estava sozinha na clínica, onde havia ampolas usadas e outras preparadas para aplicação, além de uma agenda com registros de atendimento a clientes.
“A aplicação de medicamentos controlados por quem não tem formação médica é crime e representa risco à saúde pública. Nossa ação visa impedir práticas ilegais que se escondem sob a aparência de estética”, afirmou o delegado.
Além disso, a clínica não apresentou autorização da Anvisa para armazenar ou aplicar a tirzepatida, e a Polícia Civil comunicou o caso à Vigilância Sanitária, que pode adotar medidas administrativas.
Proprietária da clínica contesta versão
Após a ação policial, Ana Paula Miranda, empresária e dona da clínica, publicou um vídeo nas redes sociais contestando a prisão.
Ela afirmou que a funcionária não aplicava o medicamento no momento da abordagem, apenas realizava uma limpeza de pele, e negou que os agentes tenham apreendido ampolas do Monjaro.

Ana Paula afirmou ainda que o produto usado na unidade de Tefé seria uma versão manipulada da tirzepatida, não o Monjaro original, e defendeu que a aplicação desse tipo de composto não exige exclusividade médica.
“Não estou enganando ninguém”, disse, alegando que informa os clientes sobre a origem do produto. Através das redes sociais, a clínica segue ativa.
A Polícia Civil reforçou que o inquérito segue em andamento para apurar responsabilidades. Por fim, a esteticista acabou autuada por exercício ilegal da medicina e permanece à disposição da Justiça.