É “comum” ver pessoas em situação de rua ocupando marquises, calçadas e praças públicas no Centro de Manaus.
Homens, mulheres, jovens e idosos enfrentam uma rotina de sobrevivência marcada por desafios como a fome, a insegurança e a invisibilidade social.
Apesar de estarem nos espaços públicos do cotidiano, essas pessoas quase sempre passam despercebidas ou são vistas com preconceito.
“Apesar de essas pessoas viverem nas ruas, é comum você verificar que um ajuda o outro. Por exemplo, em momento de chuva, todo mundo vai para o mesmo lugar, um cede um pequeno papelão para que o outro possa ser acolhido”, afirma o sociólogo Luiz Carlos.
Ele aponta que, muitas vezes, a população trata essas pessoas como se “não valessem absolutamente nada”, desconsiderando que também têm família e história.
Centro de Manaus
A falta de acolhimento adequado, segundo o sociólogo, vai além de simplesmente oferecer abrigo ou comida.
“A ideia de acolhimento parte da construção de um futuro, que começa aos poucos”, explica. Para ele, a associação entre pessoas em situação de rua e a criminalidade reforça o estigma e dificulta ainda mais o processo de reintegração à sociedade.
De acordo com a Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), mais de 2.400 pessoas em Manaus estão registradas no Cadastro Único e se autodeclaram em situação de rua.

Para a chefe da Divisão de Média Complexidade, Márcia Helena, o município busca alternativas para acolher temporariamente quem precisa.
“Temos os serviços de acolhimento e oferta, de modo temporário, onde existe interesse da população em ir para o serviço de acolhimento”, destaca Márcia.
Para o sociólogo Luiz Carlos, o acolhimento vai além da oferta de abrigo e precisa estar ligado à construção gradual de um futuro com dignidade.