Em uma viela de chão batido, com iluminação improvisada e paredes humildes, um dos últimos curandeiros da zona Leste de Manaus continua mantendo viva uma tradição ancestral que resiste ao tempo e à modernidade.
Seu nome é Arciro, e ele atende de forma voluntária moradores que chegam em busca de alívio para dores do corpo e da alma.
Conhecido na comunidade Cidade Alta, bairro Jorge Teixeira, Seu Arciro recebe pessoas de diferentes bairros, e até de outras cidades, em um cômodo simples da própria casa.
Lá, ele aplica benzeduras, “fechações de corpo”, trata dismitiduras, quebrantos e rasgaduras. E tudo isso, segundo ele, “com maior sinceridade e respeito”.
Curandeiro em Manaus
Seu Arciro conta que aprendeu o dom ainda jovem, em Maués, interior do Amazonas, após ajudar a própria mãe que havia se machucado.
“Ela torceu o pé na roça, e eu fui lá e coloquei no lugar. Daquele dia em diante, fui pegando gosto”, relembra. Apesar da pouca estrutura, os depoimentos de quem o procura são carregados de gratidão.
A prática dos rezadeiros, ou rezadeiras, tem perdido espaço nas grandes cidades, mas ainda representa um pilar importante da medicina popular. Para muitos, o que Seu Arciro oferece vai além da cura: é escuta, acolhimento e fé.
