Após dez anos de investigação, o julgamento dos cinco policiais militares acusados de envolvimento na morte da soldado Deusiane da Silva Pinheiro, de 26 anos, terminou nesta segunda-feira (29) em Manaus com a absolvição de todos os réus pelo Conselho de Sentença.
Deusiane foi encontrada morta no dia 1º de abril de 2015, com um ferimento de arma de fogo, nas instalações da base flutuante do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, localizada no rio Tarumã, zona oeste da capital.
A mãe de Deusiane, Antônia Assunção, criticou duramente a decisão da Justiça Militar.
“Eu sinto indignação, vergonha dessa justiça militar. Eles foram julgados por militares, os militares absolveram os assassinos, eles vão continuar soltos”, afirmou, destacando que a filha foi torturada e assassinada dentro da base.
Antônia declarou ainda que pretende recorrer da decisão.
“Eles não vão ficar impunes diante desse caso. A arma que matou a Deusiane é a arma do Elson Santos de Brito, um crime premeditado, como apontou a Polícia Federal. Tenho certeza que Deus vai fazer justiça”.
Linha de investigação do caso
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) apresentou denúncia em 2017 apontando o cabo PM Elson dos Santos Brito como autor do disparo.
Outros quatro policiais — os cabos Jairo Oliveira Gomes, Cosme Moura Souza e Narcízio Guimarães Neto, além do soldado Júlio Henrique da Silva Gama — respondiam por falso testemunho, acusados de tentar encobrir o crime cometido contra a soldado em Manaus.
No início das investigações, o caso foi tratado como suicídio, versão sustentada por Elson e confirmada pelos colegas.
Entretanto, laudos periciais e depoimentos indicaram contradições, mostrando que a arma oficial de Elson, e não a apresentada como prova, foi utilizada no disparo.
Segundo os autos, no momento do crime apenas Deusiane e Elson estavam no andar superior da embarcação “Peixe-Boi”.
A acusação classificou o caso como feminicídio, devido a conflitos e ciúmes relatados entre o casal.
Desde 2015, a família de Deusiane recebe apoio da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que acompanha o processo desde o início.
Para a mãe da vítima, a absolvição dos acusados representa mais um obstáculo na busca por justiça:
“São dez anos que eu espero justiça, justiça que nunca chegou.
Isso é vergonhoso”, afirmou Antônia, ressaltando ainda o apoio de instituições e parlamentares que acompanham o caso.