A onça-pintada resgatada após ser alvejada com mais de 30 projéteis em Manaus segue em recuperação sob cuidados médicos veterinários.
O animal, um macho de 54 quilos e 1,78 metro de comprimento, foi encontrado tentando atravessar o rio nas proximidades do Complexo Turístico da Ponta Negra e desde então recebe acompanhamento de uma equipe multiprofissional.
De acordo com os veterinários, o felino apresenta evolução positiva. Um dos olhos, bastante afetado pelos disparos, ainda inspira cuidados, mas o edema e o inchaço já começaram a regredir. Apesar da gravidade dos ferimentos, o animal responde bem ao tratamento.
Resgate mobilizou Polícia Ambiental
O resgate aconteceu na última quarta-feira (1º), quando agentes do Batalhão de Polícia Ambiental (BPAmb) foram acionados após denúncia de um ribeirinho.
O homem relatou que o felino, ao tentar cruzar o Rio Negro, mostrava sinais de cansaço extremo e corria risco de se afogar.
A equipe improvisou um dispositivo de flutuação para manter o animal na superfície até a chegada de apoio técnico. A onça também apresentava sangramento intenso, dentes quebrados e sinais de exaustão depois de nadar por mais de oito horas.
Expectativa é de retorno à natureza
Segundo os profissionais que acompanham o caso, o tratamento inclui monitoramento clínico constante, controle de ferimentos e apoio nutricional. Há expectativa de que, após a recuperação total, o felino possa ser reintroduzido em seu habitat natural.
O trabalho envolve médicos veterinários e biólogos, em conjunto com órgãos ambientais do Amazonas. As equipes reforçam que o caso serve de alerta sobre a importância da preservação da espécie, considerada vulnerável em várias regiões do Brasil.
Espécie ameaçada
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e figura na lista de animais ameaçados de extinção. A perda de habitat, a caça e os conflitos com humanos estão entre os principais fatores que colocam a espécie em risco.
No Amazonas, episódios de agressão a animais silvestres têm sido registrados com frequência, e entidades de proteção ambiental alertam para a necessidade de denúncias à polícia em casos de caça ilegal ou maus-tratos.