PREVIDÊNCIA

STF retoma julgamento da revisão da vida toda do INSS

Supremo retoma análise de recurso que pode revalidar direito de aposentados recalcularem benefícios considerando todas as contribuições. Decisão ocorre em plenário virtual até 30 de agosto.
Redação Portal Norte
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A partir desta sexta-feira (23), o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma a análise do recurso contra a decisão que anulou a revisão da vida toda do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O julgamento está previsto para ocorrer até o dia 30 de agosto em plenário virtual.

Em março deste ano, o STF decidiu, por sete votos a quatro, cancelar a revisão da vida toda do INSS.

Assim, os ministros alteraram uma decisão anterior do próprio Supremo, tomada em 2022, que permitia aos aposentados solicitar o recálculo do benefício.

Essa revisão considerava todas as contribuições feitas ao longo da vida, e não apenas as realizadas após 1994.

Em decisões anteriores, o STF afirmou que o artigo 3º da Lei 8.213, que introduziu o fator previdenciário, é constitucional e deve ser aplicado obrigatoriamente.

Isso significa que a norma não pode ser modificada para beneficiar segurados na contagem do tempo de contribuição, a menos que a regra de transição seja mais vantajosa.

No entanto, o Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev), que lidera a defesa da revisão da vida toda, apresentou embargos de declaração ao STF.

A entidade busca esclarecimentos sobre pontos específicos do julgamento e solicita que o Supremo mantenha as decisões judiciais que já foram favoráveis aos segurados.

O Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev) baseia seu pedido na própria decisão do STF em 2022, quando a corte aprovou a tese da revisão no julgamento.

Impacto financeiro

O impacto financeiro é um dos principais argumentos contra a revisão da vida toda.

O governo estima que a medida poderia custar cerca de R$ 480 bilhões aos cofres públicos ao longo dos anos, considerando o pagamento das diferenças acumuladas até a extinção de todos os benefícios revisados.

No entanto, o Ieprev contesta essa cifra, apresentando cálculos que reduzem o custo estimado para aproximadamente R$ 3,1 bilhões.

Além disso, o instituto argumenta que cerca de 102 mil ações válidas foram distribuídas antes de 21 de março deste ano, e mais da metade dessas ações garantem atrasados de até 60 salários mínimos, conhecidos como RPVs (Requisições de Pequeno Valor).

Segundo o Ieprev, o impacto anual dessas ações varia entre R$ 210 milhões e R$ 420 milhões, resultando em um custo total de R$ 1,5 bilhão a R$ 3,1 bilhões ao longo de dez anos.

Salário mínimo

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que essa mudança permitirá ao Governo Federal atingir a meta de déficit zero no orçamento até 2025.

Com isso, será possível aumentar o valor do salário mínimo e, consequentemente, o benefício oferecido aos aposentados e pensionistas do INSS.

O salário mínimo poderá subir para R$ 1.509, conforme a projeção atual, enquanto o teto dos benefícios pode alcançar R$ 8.092,54.

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