O Carnaval em Manaus é um período marcante e muito esperado pela população, em 2025 não é diferente. Não somente pelas festas, blocos ou desfiles das escolas de samba, mas por toda história e beleza que carrega. A folia na cidade já passou e passa por diversas transformações, o que torna a cidade multicultural.
Para o historiador Daniel Sales, o período de folia na capital amazonense é um encontro de gêneros, gostos e culturas. O que torna Manaus nota 10 no quesito evento especial.
“Na cidade não é só o Desfile das Escolas de Samba é o que prevalece, mas também: Bandas e Blocos executando diversos ritmos (até mesmo Rock). O Boi-Bumbá parintinense adentra com grande frequência nesses folguedos, tendo, inclusive, o Carnaboi como principal festa deste gênero musical. Essa mistura de festas leva a cidade a se destacar por esse “Caldeirão” cultural“, destaca o especialista.
Para o historiador, entre os personagens que marcaram e marcam gerações no carnaval de Manaus estão a boneca Kamélia, a avenida Eduardo Ribeiro e de clubes famosos de festas.
Boneca Kamélia
Quem vive a magia do Carnaval de Manaus conhece a importância da Boneca Kamélia, ícone que há quase um século abre os festejos na capital amazonense. Sua história começou em 1938, quando um dirigente do Olímpico Clube trouxe de Salvador (BA) uma boneca de mais de dois metros de altura para animar o desfile carnavalesco. Desde então, a tradição se tornou parte da identidade cultural.
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas em 2015, a Kamélia é protegida pela Lei nº 1.722/13, proposta pelo ex-vereador Arlindo Júnior. A legislação não só regulamenta sua “chegada” anual, mas também reforça seu papel como guardiã das raízes carnavalescas manauaras.

E por trás da Kamélia está Arivaldo Canizo, o “tripa” que conduz a boneca há 17 anos. Ele assumiu o papel de seu pai, que conduziu a boneca entre 1998 e 2008.
Para marcar a abertura do Carnaval 2025, a Kamélia desembarcou no Aeroporto Internacional de Manaus no dia 4 de janeiro. Em seguida, após recepção com música ao vivo e performances de blocos tradicionais, a boneca seguiu em cortejo para o Olímpico Clube, onde a festa continuou com shows e danças.
Avenida Eduardo Ribeiro
A avenida Eduardo Ribeiro, em Manaus, foi palco de desfiles de carnaval na década de 1940. Onde hoje passam veículos, na época desfilavam escolas de samba e blocos de rua. As festas carnavalescas como o ‘blocos de sujos’, ou ‘mascarados’, homens geralmente vestidos de mulher, cobertos de Maisena ou talco ainda são lembradas pelo povo manauara.
Em 1978 os desfiles passaram a ser na avenida Djalma Batista. Em seguida, em 1979 o Sambódromo de Manaus era inaugurado, onde acontece as apresentações até hoje. Mesmo com diversas mudanças, o período do avenida Eduardo Ribeiro marcou o público.
Clube dos Terríveis
Na época de 90, Manaus também era conhecida por seus clubes de Carnaval que reuniam a elite da cidade. Em 1904, surgia o famoso “Clube dos Terríveis”, os eventos eram discutidos, planejados e decididos no famoso Café dos Terríveis, frequentado pelos intelectuais, boêmios e bem nascidos da época.
O “Clube dos Terríveis” tinha como foliões algumas figuras de maior importância do contexto social da época como: o coronel José Cardoso Ramalho Júnior, o ex-governador Silvério Nery, o próprio governador Constantino Nery e superintendente municipal Adolpho Lisboa e Arthur César Moreira de Araújo.
O clube viveu até 19h15, quando Manaus teve um Carnaval eufórico e extravagante, mas o clube acabou por conta de economia do ano seguinte.


