ARTE E AMBIENTE

Festival Paredes Vivas transforma cinzas de queimadas em murais de arte urbana em Manaus

Festival em Manaus cria murais com cinzas de queimadas para conscientizar sobre destruição da Amazônia e homenagear brigadistas florestais.
Redação Portal Norte
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Manaus, capital do Amazonas, sediou desde a última segunda-feira (21) a segunda edição do Festival Paredes Vivas – Cinzas da Floresta, uma iniciativa que transforma cinzas de queimadas em arte urbana e conscientização ambiental.

Até o próximo dia 25 de julho, dois murais serão pintados em espaços da zona norte da cidade, com tintas produzidas a partir de cinzas coletadas em áreas atingidas por incêndios.

A proposta é dar visibilidade à destruição ambiental provocada pelas queimadas, ao mesmo tempo que celebra o trabalho dos brigadistas florestais e voluntários que atuam na linha de frente contra o fogo.

Obras com história e propósito

As paredes escolhidas para a intervenção artística fazem parte de um edifício residencial e de uma escola pública estadual. Conheça os detalhes de cada obra:

“A Altruísta” — por Mia Montreal

A renomada artista amazonense Mia Montreal vai pintar a empena lateral de um prédio com a obra “A Altruísta”, inspirada na brigadista voluntária Débora Avilar.

Débora perdeu seu filho de cinco meses por complicações respiratórias causadas pela fumaça das queimadas, mas decidiu transformar sua dor em ação.

    “Ela não pensa só no seu bem-estar ou em méritos, mas faz isso em prol de outras pessoas”, comenta Mia.

    “Psicoholograma” — mural colaborativo com estudantes

    Na Escola Estadual Eliana Socorro Pacheco Braga, o rapper, muralista e grafiteiro Denis L.D.O. lidera um mural coletivo com os alunos.

    A obra vai retratar uma versão robótica do Guariba, primata símbolo da Amazônia, como uma crítica ao futuro distópico em que a floresta só sobreviveria de forma artificial.

      Oficinas e cinema na programação

      O Festival Paredes Vivas em Manaus vai além da pintura das paredes. A programação inclui atividades de educação ambiental e artística para a comunidade. Confira:

      • Oficinas de arte e sustentabilidade
      • Rodas de conversa com artistas e ambientalistas
      • Visita guiada de estudantes às obras
      • Exibição do curta-metragem “Cinzas da Floresta” (2023)

      De acordo com a coordenadora do projeto, Bea Mansano, a tinta usada nos murais é produzida a partir de cinzas recolhidas com o apoio de brigadistas florestais de todo o país.

      Cada estado recebe um ponto do projeto, com representantes locais responsáveis por identificar os espaços e selecionar os artistas.

      “Recebemos a matéria-prima do nosso projeto, que são as cinzas, através de contato com brigadistas no país todo”, explica Bea.

      Assista à reportagem: