De acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira, 4, pela revista científica MIT Technology Review, a morte de David Bennett, de 57 anos, primeiro paciente a receber um coração transplantado de um porco, pode ter sido causada por um vírus suíno.
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Segundo o cirurgião de transplante Bartley Griffith, o coração foi afetado pelo citomegalovírus, um vírus de porco, que causou uma infecção que, apesar de evitável, está relacionada a efeitos devastadores em transplantes.
O transplante histórico foi realizado na Escola de Medicina da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, em janeiro deste ano. No entanto, após dois meses do procedimento, o paciente acabou morrendo porque “sua condição começou a se deteriorar”, de acordo com a nota divulgada pela universidade.
Para Griffith, o vírus pode ter sido decisivo para a morte de Bennett, que havia passado por uma cirurgia de sucesso com uma perspectiva de otimismo tanto para sua recuperação, como para o futuro dos transplantes entre seres humanos e animais.
“Estamos começando a entender por que ele faleceu”, disse o cirurgião em uma webinar realizada no dia 20 de abril pela American Society of Transplantation.
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Inovação
O porco doador pertencia a um rebanho que passou por um procedimento de modificação genética, realizada pela empresa de biotecnologia Revivicor, que também forneceu o porco usado em um transplante de rim inovador em um paciente com morte cerebral, em Nova York, em outubro.
O órgão doado permaneceu em uma máquina para preservá-lo antes da cirurgia, e a equipe também usou um novo medicamento junto com outras substâncias convencionais para suprimir o sistema imunológico e impedir a rejeição do órgão. Trata-se de um composto experimental fabricado pela Kiniksa Pharmaceuticals.
Cerca de 110.000 americanos estão atualmente à espera de um transplante de órgão, e mais de 6.000 pacientes morrem a cada ano antes de recebê-lo, de acordo com dados oficiais. Para atender à demanda, os médicos há muito se interessam pelo chamado xenotransplante, ou doação de órgãos entre espécies, com experimentos que remontam ao século 17.
As primeiras pesquisas se concentraram na extração de órgãos de primatas. Por exemplo, um coração de babuíno foi transplantado em um recém-nascido conhecido como Baby Fae em 1984, mas este sobreviveu apenas 20 dias.
Hoje, as válvulas cardíacas de porco são amplamente utilizadas em humanos, e a pele desse animal é enxertada em pessoas que sofreram queimaduras.
Os porcos são doadores ideais devido ao seu tamanho, crescimento rápido, ninhadas grandes e ao fato de estarem prontamente disponíveis, sendo criados para alimentação.
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