A 17ª Cúpula do Brics, realizada neste sábado (6) no Rio de Janeiro, terminou com a divulgação da “Declaração do Rio de Janeiro”, documento que reafirma o papel do Sul Global na construção de uma nova ordem mundial.
Os 11 países-membros permanentes, Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes e Indonésia, destacaram a necessidade de fortalecer o multilateralismo, reformar a ONU e enfrentar os desafios climáticos, econômicos e tecnológicos de forma conjunta.
Sobre as guerras
A declaração condena os ataques militares ao Irã, membro do bloco, e exige cessar-fogo imediato, completo e incondicional na Faixa de Gaza, além da retirada de tropas israelenses e liberação de reféns.
Sobre a guerra na Ucrânia, o grupo demonstrou apoio a iniciativas de paz por meio da diplomacia e diálogo, como a Iniciativa Africana e o Grupo de Amigos da Paz.
O documento enfatiza a urgência de reformar o Conselho de Segurança da ONU, ampliando a participação de países em desenvolvimento, especialmente da América Latina, África e Ásia.
O texto também cita o compromisso com a erradicação da pobreza, segurança alimentar e justiça tributária, defendendo um sistema fiscal internacional mais progressivo e justo.

IA e meio ambiente
Entre os principais temas discutidos estão a governança da inteligência artificial e as mudanças climáticas.
Os países reconhecem a IA como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento, mas pedem regras globais que reduzam riscos e garantam acesso igualitário à tecnologia. Já em relação ao clima, reafirmaram compromisso com o Acordo de Paris e apoio à COP30, que será presidida pelo Brasil em Belém.
Os líderes também celebraram a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposta brasileira para financiar a conservação de biomas como a Amazônia. Foram aprovados ainda três documentos complementares: sobre finanças climáticas, governança da IA e combate a doenças socialmente determinadas.
Com 39% da economia mundial e quase metade da população global, o Brics reforça sua agenda como força alternativa ao eixo EUA-Europa, destacando o Sul Global como protagonista de soluções multilaterais.
*Com informações do G1 e Agência Brasil