O uso excessivo das redes sociais pode causar intoxicação social, com desestímulos, sensações de exclusão e desânimo com a própria vida, evidenciados pelo excesso de comparações e falta de experiências reais, é o que aponta a professora Valéria Barbieri, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP.
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De acordo com levantamento realizado pelas empresas WeAreSocial e Hootsuite, o Brasil ficou em terceiro lugar no ranking de países que mais consumiram redes sociais em 2021.
A professora informa que várias pesquisas associam o uso das redes sociais com problemas como ansiedade e depressão.
“Há outras repercussões que podem vir junto ou não com esses problemas, como preocupações em relação à autoestima, insatisfação com aparência física, sentimentos de inutilidade, diminuição das interações offline e uma certa displicência com os códigos morais que o anonimato propicia”, diz.
Valéria explica ainda que alguns problemas, pelo uso excessivo das mídias sociais, podem ser causados por adversidades anteriores ao consumo.
“As pesquisas ainda não chegaram a compreender exatamente como essa relação ocorre. Algumas teorias defendem que as fragilidades anteriores do indivíduo levariam ao uso exagerado das redes sociais, não o contrário”, exemplifica.
Pessoas que possuem uma maior tendência a se compararem com as outras acabam tendo uma autopercepção mais empobrecida, potencializada pelo uso constante das redes sociais.
“Essa tendência à comparação, associada ao uso intenso das redes, desperta no indivíduo sentimentos de inveja, inferioridade, exclusão e fracasso.”
A professora conta que foi criado um acrônimo na língua inglesa para determinar o sentimento de estar perdendo alguma coisa, uma inquietação constante de que os outros estão tendo experiências gratificantes e a pessoa não, chamado de Fomo (Fear of Missing Out, ou Medo de Ficar de Fora), que se tornou motivo de estudos e pesquisas.
Valéria explica que já existem pesquisas que mostram fatores de proteção contra os sintomas negativos que decorrem do uso excessivo das redes sociais, como: atividade offline, momentos com amigos e parentes fora do mundo virtual e manter relações de proximidade.
Para ela, é necessário cuidar para que as pessoas não se distanciem de valores fundamentais e se percam de si.
“A insatisfação com a vida real leva o indivíduo a se refugiar nas redes sociais, provocando mais insatisfação e criando um círculo vicioso. Felicidade está nas coisas simples, que dão propósito à nossa vida e estabelecem relações positivas e de reciprocidade, favorecendo o otimismo e a esperança”, argumentou.
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