EDUCAÇÃO

Brasil investe menos em educação do que países ricos, diz OCDE

Relatório da OCDE mostra que Brasil reduziu investimentos em educação enquanto países desenvolvidos aumentaram gastos. Professores brasileiros também recebem salários 47% abaixo da média internacional.
Redação Portal Norte
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Enquanto países ricos apresentam melhorias na educação, o Brasil, por outro lado, exibe piora nos índices. Entre 2015 e 2021, o investimento público em educação caiu, em média, 2,5%, a cada ano no país.

Os dados são do relatório internacional Education at a Glance (EaG) 2024, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta terça-feira (10).

Brasil em comparação aos outros países

O relatório avaliou, no mesmo período, 48 países. Os resultados mostram que os gastos públicos deles aumentaram, em média, 2,1% por ano, desde o ensino fundamental até o superior.

Em valores absolutos, o Brasil também investe menos em comparação às outras nações da OCDE. Por ano, o país gasta, em média, cerca de R$ 20,5 mil por aluno nas escolas de ensino fundamental, enquanto os demais países investem, em média, R$ 66,5 mil.

No ensino médio, esses gastos chegam a R$ 22,6 mil no Brasil e cerca de R$ 71 mil nos outros países. Por outro lado, no ensino superior, o investimento é maior, chegando a R$ 75,8 mil no território brasileiro.

Apesar disso, ainda fica baixo do total de R$ 95,7 mil investido entre os países da OCDE.

A parcela dos gastos públicos com educação em relação aos gastos totais do governo diminuiu de 11,2% em 2015 para 10,6% em 2021, no Brasil. Esses percentuais são, no entanto, superiores aos dos países da OCDE. Em média, entre os países-membros da organização houve também ligeira diminuição no mesmo período, de 10,9% para 10,0%.

Valorização dos professores

O relatório também indicou uma maior valorização dos professores pelos países ricos, em comparação com o Brasil. No país, os professores recebem menos e trabalham mais do que a média da OCDE.

Em 2023, o salário médio anual dos professores nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) era R$ 128,4 mil. Valor 47% abaixo da média da OCDE, que alcança R$ 240,2 mil.

Escolaridade no Brasil

Embora o cenário de investimento seja inferior, o Brasil tem escolaridade obrigatória mais longa que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Segundo o estudo, no Brasil, todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos devem estar matriculados na escola. Os 13 anos de estudos obrigatórios são mais longos que os dos países da OCDE, cuja média de ensino obrigatório é de 11 anos.

Por meio dos indicadores trazidos pelo relatório internacional, é possível observar um maior destaque do país brasileiro para a educação infantil. Ao contrário do sistema educacional na totalidade, o investimento público nessa etapa, em relação ao Produto Interno Bruto (soma das riquezas produzidas no país), aumentou 29% entre 2015 e 2021, no Brasil. O aumento foi maior que a média da OCDE, que no mesmo período, aumentou 9%.

O Brasil participa do estudo desde a primeira edição, em 1997. A OCDE é uma organização econômica, com 38 países-membros, fundada em 1961 para estimular o progresso econômico.

Portal Norte conecta você às notícias mais recentes do Amazonas, Brasília, Acre, Roraima, Tocantins e Rondônia. Conteúdo confiável e em tempo real.