POLÍTICA

Ministro da Previdência esteve com o ‘Careca do INSS’ antes de assumir cargo

Ministro da Previdência se reuniu com lobista investigado por fraudes no INSS antes de assumir cargo; oposição questiona omissão diante de esquema de R$ 6,3 bilhões.
Redação Portal Norte
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O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, esteve em reunião com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)”, dentro do Ministério, em janeiro de 2023, início do governo Lula (PT). 

O Careca do INSS é apontado pela Polícia Federal (PF) como o principal operador do esquema de descontos indevidos em aposentadorias. De acordo com as investigações, o lobista recebia dinheiro das entidades envolvidas nas fraudes contra aposentados e pagava propina a dirigentes do INSS.

À época, o atual ministro era deputado federal e havia sido indicado para assumir o cargo de secretário-executivo do Ministério, cadeira que assumiria um mês depois. O encontro acontecem em 12 de janeiro, antes da posse oficial. 

Além do Careca do INSS, os então diretores do INSS, André Fidelis (Benefícios) e Alexandre Guimarães (Governança) e o procurador-geral do órgão, Virgílio Oliveira Filho, afastado do cargo em abril por decisão judicial, também estavam no encontro. 

Em declaração ao Metrópoles, o ministro afirmou que “a agenda foi organizada e conduzida” por Virgílio Oliveira Filho, “com o intuito de apresentar ao futuro secretário executivo um panorama técnico da pasta no âmbito do processo de transição”. 

Previdência Social. Foto:  Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Alerta da oposição

Há um mês, o líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o afastamento do ministro.

“Wolney Queiroz esteve presente na reunião em que o governo foi alertado sobre as fraudes de R$ 6,3 bilhões no INSS — e nada fez. Agora, assuma o comando do mesmo ministério?”, questionou. 

No documento, o líder do PL na Câmara alegou que Wolney Queiroz adotou “conduta omissiva dolosa, consubstanciada na inércia” diante do esquema bilionário de fraudes. Estima-se que R$ 6,3 bilhões foram cobrados de forma ilegal, entre 2019 e 2024.