Apresentada como uma solução rápida para ampliar a infraestrutura da COP30, a dragagem do porto de Belém tinha como objetivo aprofundar o canal para permitir a chegada de grandes navios de cruzeiro.
A ideia era que essas embarcações servissem como hotéis flutuantes, oferecendo milhares de leitos extras para chefes de Estado, delegações internacionais e visitantes do evento climático.
O plano foi vendido como estratégico para garantir hospedagem em larga escala e integrar o porto ao calendário turístico da cidade. No entanto, o projeto rapidamente se transformou em alvo de críticas.
Irregularidades e cancelamento da licitação
Segundo relatório obtido pelo Norte Investigação, as obras foram planejadas sem os estudos técnicos necessários e sem a documentação adequada. A ausência de planejamento efetivo comprometeu todo o processo, levando ao cancelamento da licitação.
Especialistas ouvidos reforçam que nenhuma atividade desse porte deveria ser realizada sem análise prévia detalhada. O caso expõe falhas graves na condução de obras públicas em um dos principais portos do Norte do país.
Atrasos e custos multiplicados
O que seria um trunfo para a realização da COP30 acabou se tornando mais um exemplo de desperdício e entrave.
O relatório aponta que houve atrasos sucessivos e custos multiplicados nas obras da dragagem em Belém, sem que nenhuma atividade concreta fosse realizada até o momento.
Enquanto isso, o porto de Belém segue sem as adaptações prometidas, e o governo precisará buscar alternativas de hospedagem para absorver a demanda do evento.
Impactos e próximos passos
Com a dragagem suspensa, especialistas alertam que a falta de infraestrutura adequada pode comprometer parte da logística da COP30. A expectativa é de que novas propostas sejam avaliadas, mas ainda sem prazo definido.
O caso deve repercutir nos bastidores da preparação do evento, que colocará Belém no centro das atenções mundiais sobre mudanças climáticas.